Despedida do blog. Que as coincidências transformem em um 'até breve'.
11/08/2020 | 21h39
Se pudéssemos prever o futuro, muito seria evitado. Sim, é verdade. Mas apesar disto, perderíamos muito de nossa liberdade e da grande beleza do desconhecido; do imprevisível. Acredito que a melhor forma de prever o futuro seja mesmo criá-lo. Para o filósofo alemão Nietzsche e o físico Einstein as coincidências não existem da forma que entendemos, como um mero acaso. Para o segundo, inclusive, a coincidência é a maneira que Deus encontrou para permanecer no anonimato. Ora, se o futuro é mesmo incerto e não há coincidência em nossa trajetória, devemos viver da melhor maneira possível o nosso presente, criando as condições para que o que possa vir seja fruto dessa construção e que boas coincidências nos encontrem.
Quando aceitei o desafio de ter um blog hospedado no portal da Folha da Manhã, o Folha1, o intuito foi exatamente o de construir um futuro. A importância regional que a Folha possui, a inserção de seu jornalismo na sociedade, me motivou a simplesmente fazer o melhor que podia.
Logo de início já surgiu para mim uma “pauta bomba”. Campos atravessava o início de uma greve da classe médica. A saúde da cidade, que sempre foi um grande foco de problemas, passou a ser para mim uma experiência jornalística muito interessante. Comecei a perceber a importância das fontes confiáveis para praticar o ofício. Ofício esse que é essencial à democracia. A greve dos médicos foi uma prova de fogo.
Eu passei nessa prova de fogo. Uma pessoa que aprendi a respeitar, por sua grande capacidade jornalística e rara inteligência, me disse que passei bem nesse primeiro teste. Essa pessoa se chama Aluysio Abreu Barbosa. Ele que me fez o convite para escrever com a chancela da sua casa, a Folha.
O aprendizado continuou. Sempre com a pauta política como principal, o blog foi se desenvolvendo. Depois da greve dos médicos, outro assunto ganhou destaque por aqui. Uma instituição histórica de Campos, uma universidade pensada pelo grande Darcy Ribeiro, passava por um processo eleitoral para escolher seu reitor.
O blog entrevistou os candidatos ao cargo e, definitivamente naquela ocasião, entendeu, como organismo vivo e modificado pelas “coincidências”, quais seriam as suas aptidões, as suas “bandeiras”. Mesmo entendendo que jornalismo não pode ter “lado”, embora o blog possa transitar por diversos estilos, inclusive de opinião, a educação e a cultura passaram a ter significado maior no que escrevia.
A partir do blog participei algumas vezes do programa líder de audiência da Folha FM 98,3, o Folha no Ar. Participei na bancada com a política de São Francisco de Itabapoana como pauta. E um bate papo com o editor-geral da Folha, Arnaldo Neto. Além da iniciativa Jogo Jogado, interrompida pela pandemia. O que fiz com muita honra e que me fez perceber “de dentro” a qualidade do jornalismo da Folha e a enorme preocupação em checar e re-checar informações e sempre ouvir todos os lados da história, seja ela qual for.
A cultura e o patrimônio histórico de Campos passaram a ser uma pauta recorrente nesses últimos tempos. Envolvi-me no setor cultural, conheci diversos fazedores de cultura e me aprofundei nos brilhantes equipamentos culturais que a cidade possui. Orgulha-me muito ter contribuído e participado de iniciativas essenciais para a preservação e divulgação de nossa vasta história.
Me despeço torcendo muito para ser apenas um “até breve”. Agradeço a equipe Folha que sempre me acolheu muito bem, ajudando a compreender o importante ofício de comunicar. Agradeço Aluysio Abreu Barbosa, que entendo personificar o agradecimento extensivo ao competente quadro Folha da Manhã, ressaltando sua capacidade de entender o cenário e conseguir aglutinar e valorizar as pessoas, sendo elas o segredo do seu sucesso e do grupo Folha da Manhã. Jornalismo é trabalho coletivo, como sempre afirma o Aluysio, lembrando seu pai, ícone regional quando o assunto é comunicação.
Esperando que novas coincidências e novas imprevisibilidades construam o caminho de meu próximo desafio, motivo ao qual deixo o blog. Com o mesmo espírito e as mesmas ilusões construtivas me lanço a uma empreitada política. Mesmo sabendo que corro o risco de tudo que fiz ser questionado por essa escolha, e sabendo que este se mostra um território de muitos obstáculos, tentarei usar do instrumento 'política' para fazer a diferença em um momento que exige coragem e exatamente o desprendimento de se posicionar. Que Nietzsche e Einstein estejam certos – e costumam estar – e as coincidências sejam apenas ilusões humanas que pavimentem caminhos. Até breve!

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Uma verdade solar: a história e o destino do Airizes nas mãos da justiça
05/08/2020 | 21h53
Solar dos Airizes em seu estado atual. A majestosa construção com ameaça de ruína.
Solar dos Airizes em seu estado atual. A majestosa construção com ameaça de ruína. / Bruno Salles
Durante a Primeira Guerra Mundial, Bruxelas vivia tempos difíceis após a queda do Império Alemão, com soldados rebeldes alemães proclamando uma revolta. Os revolucionários tentaram se aliar à população da capital da Bélgica, mas seus habitantes haviam sofrido muito durante os quatro anos de ocupação alemã. O historiador Alberto Lamego vivia em Bruxelas nesse período e já possuía uma valiosa coleção de arte e uma biblioteca vasta. Em tempos de guerra, Lamego chegou a precisar abrigar seus livros e quadros em um convento, para protegê-los. Um artigo no Jornal do Brasil, publicado na década de 1920, conta que o historiador comprou uma de suas peças por 30 xelins —unidade monetária que esteve em uso em muitos países —em um antiquário. A coleção de pinturas de Alberto Lamego era composta de 35 quadros a óleo, sendo 17 sobre tela e 18 sobre madeira, além de cinco desenhos em sépia, aguada, sanguínea e bico de pena.
Nascido em Itaboraí em 1870, Alberto Frederico de Moraes Lamego era filho do comendador José Maria de Moraes e de Sophia Violante Jardim, ambos portugueses, sendo ela original da Ilha da Madeira e o pai da cidade de Lamego, de onde veio o sobrenome adquirido pela família. Casado com Joaquina Maria do Couto Ribeiro, o casal teve oito filhos, incluindo Alberto Ribeiro Lamego, que assim como o pai, produziu uma inestimável contribuição em pesquisas, principalmente na área da geologia, para a região. Formado em Ciências Jurídicas e Sociais, Lamego e família viveram por longo e período na Europa, lá publicando, inclusive os primeiros volumes de sua mais conhecida obra, A Terra Goytacá.
Depois de retornar ao Brasil trazendo na bagagem uma rara biblioteca brasiliana e vastíssimo acervo documental acumulado por ele durante os anos de pesquisa em várias instituições, em especial, os arquivos portugueses, Lamego passou a viver com a família no Solar dos Airises. O imponente Solar, construído em sua forma atual em princípios do século XIX pelo comendador Cláudio do Couto e Souza, foi o primeiro imóvel a ser tombado pelo IPHAN, reconhecendo-se o seu valor histórico e patrimonial. Casado com uma das filhas do comendador, é que Alberto Lamego herdou o imponente edifício.
João Pimentel
Alberto Lamego trouxe também para o interior do Estado do Rio de Janeiro uma pinacoteca de valor tão elevado que os próprios campistas não acreditavam — “Para mim os quadros dos Airises, se não são autênticos não são célebres, e, se são célebres não são autênticos” — chegou a dizer um membro da Academia Campista de Letras em 1950. Mas a verdade se fez mais forte, e a coleção de Lamego elevou-se à condição de patrimônio histórico e cultural, sendo um dos elementos que elevaram Campos à “Meca dos homens de cultura e de gosto”, como definido por Jefferson d´Ávila Júnior, então diretor do Museu Antônio Parreiras, em Niterói, que hoje abriga a pinacoteca. Um “tesouro fabuloso”, nas palavras do diretor.
O historiador e ambientalista Arthur Soffiati recorda a existência de uma carta remetida ao Alberto Lamego, pelo escritor modernista, poeta a ativista cultural brasileiro, Mário de Andrade:
Carta de Mário de Andrade a Alberto Lamego - São Paulo 08-XI-35:
“Trago dos Airizes uma recordação iluminada. A forma tradicional do seu solar, tão bem equilibrado de linhas e volumes, tão bem colocado numa paisagem esplêndida, os quadros, as pratas, os marfins, as gravuras, as porcelanas, tudo se gravou em mim numa recordação suavíssima, iluminando de luz desconhecida antes para mim, o autor dessa preciosíssima coleção. Permita que lhe diga sinceramente, embora isto possa lhe pesar à naturalidade tão simples e humana, que encontrei no Sr. um dos homens mais admiráveis com quem tenho jamais convivido. A universalidade do seu espirito aliada a generosidade do seu coração me fizeram estimar e querer bem infinitamente que eu apenas admirava como Historiador. E hoje eu sei que esta admiração antiga, apesar de tão grande, era pequena por tudo quanto o Sr. é.”
Soffiati comenta que a opinião de Mário de Andrade sobre o solar “não expresse um julgamento crítico rigoroso, visto ter sido externada no meio de uma carta de agradecimento", citando também um parecer do renomado arquiteto Lúcio Costa, falecido na década de 1990, sobre o Solar que "parece estar de acordo com o conceito de patrimônio vigente na época, atribuindo excessivo valor à Monumentalidade e ao evento histórico importante”.
O Airizes e a eminência de sua ruína
Bruno Salles
O Solar foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1940, reforçando sua importância para a sociedade fluminense e de todo país. O tombamento, primeiro realizado em Campos, foi solicitado pelo próprio proprietário, com objetivo de proteger a construção contra qualquer ação que o destrua ou descaracterize. A ação do tempo — e do descaso do poder público — contrariou o Iphan. Hoje, o prédio do Solar encontra-se em situação precária. A eminência de sua ruína foi demonstrada com a queda de uma de suas janelas e de parte de uma parede, em junho deste ano. O risco de novas quedas, a falta de manutenção, tanto da área externa como da interna, além do entorno abandonado, descaracterizam o Solar, o que levou uma equipe do Conselho de Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural do Município de Campos (Coppam) a realizar uma visita técnica para avaliação das condições do prédio.
Consultado, o Iphan se diz “ciente” do abandono e que “aguarda decisões judiciais” para garantir a restauração do imóvel.
— O Iphan não apenas está ciente do mau estado de conservação do Solar de Airizes, como tem requerido do proprietário que sejam adotadas medidas para garantir a recuperação do monumento. Nesse sentido, corre na autarquia um processo administrativo de fiscalização. O instituto aplicou multa ao proprietário por não tomar as providências exigidas para preservar o bem. O proprietário, por sua vez, apresentou recurso contra a decisão, que atualmente se encontra em análise na presidência do Iphan, que vem acompanhando a situação do Solar do Airizes, monumento marcante para a região e para o Patrimônio Cultural Brasileiro como um todo. Correm na Justiça alguns processos para garantir a restauração do imóvel. O Iphan aguarda as decisões judiciais, assim como mantém as fiscalizações com o objetivo de recuperar o bem tombado — respondeu o Iphan, via assessoria.
A historiadora Rafaela Machado ressalta o valor do Solar para a região e explica a lenda envolvendo a construção e o romance de “Escrava Isaura”, de Bernardo Guimarães, que também inspirou uma novela na Rede Globo.
— O Solar dos Airises é um dos maiores marcos patrimoniais da nossa região. Inicialmente ligado aos jesuítas e depois transformado em grande engenho pelo comendador Claudio do Couto e Souto, o edifício guarda ainda a lendária história da Escrava Isaura. Em verdade, diferente do que muitos acreditam, o autor Bernardo Guimarães não ambientou seu romance “Escrava Isaura” nas terras da fazenda, nem tampouco a primeira versão da novela gravada pela TV Globo usou o Solar como cenário. No entanto, mais importante do que isso é a história que se construiu sobre o Airises, que passa também pela lenda da escrava Isaura — explica Rafaela.
Lançamento de livro sobre Alberto Lamego no Arquivo Público Municipal Waldir Pinto de Carvalho
Lançamento de livro sobre Alberto Lamego no Arquivo Público Municipal Waldir Pinto de Carvalho / Arquivo
Os processos judiciais e a responsabilidade de cada um. A quem pertencente o Solar dos Airizes?
Um elemento essencial para se garantir a preservação do Solar e seu eventual restauro, é o levantamento de informações sobre quem tem a sua propriedade atual e se cabe a este o ônus financeiro de afiançar que o Solar continue erguido — e restaurado.
A equipe de reportagem da Folha tentou contato por diversas vezes com a empresa Teixeira Holzmann Empreendimentos Imobiliários, de Londrina no Paraná, que teria adquirido o Solar e suas terras em 2014. O contato foi novamente tentado. A imobiliária desta vez informou um número de celular de representante local. Até a publicação desta matéria, o número apresentava-se como inexistente.
Com a impossibilidade de contato efetivo com a Teixeira Holzmann, os herdeiros da família Lamego foram procurados. No único contato disponível, a mensagem de Whatsapp foi respondida dias depois de enviada. Se identificando apenas como advogado da família, a resposta sobre a situação atual do Solar foi surpreendente e contundente:
— A situação do casarão foi resolvida pela justiça. O município de Campos perdeu na justiça em última instância. Decisão irreversível, transitada em julgado, condenou o Município a restaurar integralmente o prédio.
Perguntado se o Solar pertenceria à empresa Imobiliária, efetivando-se a venda de 2014, a reposta também foi direta: “não”. Indagado sobre o processo judicial, informa seu número e envia cópia do acórdão. Sobre a responsabilidade de restauração, informa:
— O marco regulatório do patrimônio histórico determina que quando o proprietário não dispõe de recursos para manter bem tombado essa obrigação se transfere para o poder público. Tudo isso já discutido exaustivamente no processo com contraditório e amplas defesas, recurso e foi encerrado com a condenação do município. Não há mais nada a se falar sobre o assunto. Decisão judicial transitada em julgado não se discute, se cumpre.
A responsabilidade de restaurar o Solar – Decisão transitada em julgado no Tribunal Regional Federal
Iphan e Prefeitura de Campos sugerem desconhecer a decisão do acórdão nº 0000402-28.2008.4.02.5103 (2008.51.03.000402-8), da III Turma Especial, do Tribunal Regional Federal (TRF) da 2º Região. A sentença, que não cabe mais recursos ou embargos, produzida em Ação Civil Pública, proposta pelo Ministério Público Federal (MPF) em face do Município de Campos e de Nelson Luiz Lamego, determina a imediata restauração do Solar dos Airizes, devendo ser feita pela municipalidade.
A assessoria do TRF2 informa que a 2ª Vara Federal de Campos extinguiu o processo em relação a Nelson Luiz Lamego e ao IPHAN, mas condenou o município a promover "as medidas efetivas no sentido da preservação do patrimônio histórico objeto da presente ação (casa sede da Fazenda dos Airizes ou Solar dos Airizes)". Informa ainda que o município apelou e a 8ª Turma Especializada decidiu, por maioria, manter a sentença, não havendo recurso do acórdão.
Os advogados campistas Ademir Martins Neto e o tributarista Carlos Azevedo de Alexandre Campos, contribuíram com a matéria, confirmando que a sentença é definitiva. Após todos os andamentos, o processo transitou em julgado em junho de 2020. No dia 10 do mesmo mês, os autos baixaram à Vara de origem.
A posição da prefeitura é desconectada da realidade produzida pelo fim do referido processo judicial. Em nota, cita a multa aplicada via Coppam, e que esta estaria vinculada ao Solar. Caso conhecesse o teor do acórdão, a prefeitura estaria informando multa sobre ela mesma.
— Todas as medidas estão sendo tomadas, dentro da legislação vigente, para preservar o patrimônio. As informações solicitadas estão sendo levantadas pelo órgão responsável. O Conselho de Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural de Campos (Coppam) determinou, por unanimidade, a aplicação de multa de 2.500 UFICA’s, que ficará vinculada ao referido imóvel, bem como à dívida ativa municipal. Em reunião exclusiva para apuração do caso, após visita ao local, a totalidade dos conselheiros aprovou a aplicação da multa. A notificação já foi publicada no Diário Oficial e, no momento, o Conselho está tentando notificar os proprietários pessoalmente. Conforme já veiculado na imprensa local, o referido imóvel encontra-se em situação precária, tendo parte de sua fachada desmoronada e com o risco de novas quedas, falta de manutenção tanto da área externa como da interna, além do entorno abandonado, descaracterizando-o. Tal fato infringiu os termos da lei municipal nº 8.487/2013, sendo considerada uma infração de gravidade média (art. 35, II), bem como somados aos agravantes descritos nos incisos I, V, VI e VIII do art. 35, §1º da mesma lei.
O acórdão transitado em julgado
A sentença determina ao município a responsabilidade sobre o Solar e a inclusão de previsão orçamentária para a atual gestão e futuras. Determina ainda uma multa diária de R$ 10.000,00 por descumprimento, sem prejuízo da responsabilização dos agentes públicos.
“Condenar o Município de Campos dos Goytacazes, que, num prazo razoável, promova medidas efetivas no sentido da preservação do patrimônio histórico objeto da presente ação (casa sede da Fazenda dos Airizes ou “Solar dos Airizes”), através da elaboração de um projeto completo de restauração, a ser submetido ao IPHAN, e da previsão orçamentária das verbas necessárias para a restauração, a ser colocada no plano plurianual e nas leis orçamentárias das próximas gestões”.
Com o trânsito em julgado da ação, adquirido em junho, a narrativa de multa ou responsabilização dos proprietários do Solar dos Airizes, não possui lastro na realidade. A decisão cita o artigo 19 do Decreto-Lei nº 25/1937:
“Art. 19. O proprietário de coisa tombada, que não dispuser de recursos para proceder às obras de conservação e reparação que a mesma requerer, levará ao conhecimento do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional a necessidade das mencionadas obras, sob pena de multa correspondente ao dobro da importância em que for avaliado o dano sofrido pela mesma coisa. § 1º Recebida a comunicação, e consideradas necessárias as obras, o diretor do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional mandará executá-las, a expensas da União, devendo as mesmas ser iniciadas dentro do prazo de seis meses”.
O parágrafo 3º, do mesmo artigo, determina que “uma vez que verifique haver urgência na realização de obras e conservação ou reparação em qualquer coisa tombada, poderá o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional tomar a iniciativa de projetá-las e executá-las, a expensas da União, independentemente da comunicação a que alude este artigo, por parte do proprietário”.
Equipe do Conselho de Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural do Município de Campos (Coppam) em visita técnica
Equipe do Conselho de Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural do Município de Campos (Coppam) em visita técnica / Prefeitura de Campos
O município alega que os proprietários do Solar teriam condições financeiras para sua manutenção e restauro. A sentença também derruba essa tese, reconhecendo a hipossuficiência dos donos do imóvel em promover uma obra “na cifra de milhões de reais” e exigindo a ônus da prova de capacidade financeira dos proprietários recaírem sobre a prefeitura. A sentença não impede que o Município inclua o Estado e a União, para não ser o único ente federado a arcar com a despesa de restauração, uma vez que o bem é tombado por autarquia federal, porém determina que o poder público faça os arranjos necessários para alocar recursos.
O Solar é reconhecido no Plano Diretor de Campos como bens de proteção ambiente cultural. Em seu art. 227 cita que “são considerados bens de proteção do ambiente cultural no Município de Campos, aqueles tombados pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN e pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural – INEPAC (...)Casa da Fazenda dos Airizes”. O Plano cita ainda que “a preservação de edificações determinadas por esta lei, ou por ato do Executivo não implicará necessariamente em seu tombamento, mas assegurará sua proteção”.
(Atualização em 07/08/2020) A presidente do Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL), cargo que também ocupa no Coppam, disse estar ciente das questões que envolvem o Solar, mas preferiu comentar as informações apuradas nesta matéria na reunião do Conselho que acontece no próximo dia 18. 
O setor cultural de Campos e o a verdade do Airizes
O arquiteto Humberto Neto das Chagas, cotado para assumir o escritório do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) que será instalado em Campos, prefere não comentar a decisão judicial, mas descarta o tombamento pelo Inepac:
— Essas questões que envolvem a justiça são bastante complexas. Eu costumo trabalhar com o que há de concreto após as resoluções da justiça. Sou leigo nos assuntos jurídicos, portanto prefiro opinar após a conclusão desta. Quanto ao tombamento pelo INEPAC, minha opinião, neste momento, a princípio é de não tombamento.
O historiador e ambientalista Arthur Soffiati comenta que o Solar não pode esperar a demora processual e que a prefeitura de Campos seria a “instância mais apropriada para garantir a integridade do bem”:
— Os trâmites processuais são demorados. Enquanto a questão passa do ministério público ao judiciário, que pede pareceres e a devolve ao ministério público, o bem vai se deteriorando. a prefeitura de Campos parece ser a instância mais apropriada para garantir a integridade do bem e promover a sua restauração. Antes de tudo, ela faria obras emergenciais para impedir o desmoronamento. Em segundo lugar, ela faria um projeto de restauração, definindo alguma atividade a ser sediada no prédio. De posse desse projeto, ela poderia buscar fundos em grandes empresas da região, como a Petrobrás e o porto do Açu, mas não apenas. Contudo, parece que estamos fadados a lamentar mais uma perda para o município, como foram os casos do teatro são salvador, da antiga santa casa, do Trianon e do coliseu.
Presidente do Instituto Histórico de Campos, Genilson Paes Soares, desconhecia a apelação da prefeitura e lembra sobre o prazo da prefeitura:
— Não conhecia essa apelação feita pela Prefeitura e que teve decisão em 16 de outubro 2019. No teor da peça dá pra conferir a decisão final do processo que saiu em fevereiro deste ano: o Nelson Luiz Lamego saiu do polo passivo juntamente com o Iphan e a Prefeitura foi condenada sozinha a "obrigação de fazer" o projeto, orçamento e prever no PPA de 2021 o recurso para restaurar o Solar dos Airises. A Prefeitura tinha um prazo até o dia 27 do mês passado, para apresentar o projeto e orçamento para aprovação do Iphan.
Genilson alerta que a falta de cuidado com a cultura em Campos não é recente:
— Vejo pelo acordão que a condenação é de 2013 no governo Rosinha, quando o município ainda tinha uma boa arrecadação dos royalties do petróleo, mas preferiram entrar com recurso pra ganhar tempo e deram prioridade a outros projetos milionários como o elefante branco do Cepop, a urbanização do Canal Macaé Campos e a obra de revitalização do Centro Histórico, que nunca se efetivou.
O advogado Ademir Martins Neto comenta a decisão judicial:
— Analisando as informações, o município desta vez não recorreu do Acórdão. No meu entender havia argumentos para recurso, pois o Acórdão não foi unânime e não foram aferidas as condições financeiras do atual proprietário do imóvel, tão pouco foi atendido o pedido de direcionamento da lide a este. Tendo ocorrido o transito em julgado caberá ao MPF proceder ao cumprimento da Sentença mantida. Frise-se que, tanto o Juiz quanto os Julgadores do órgão especial, informaram que não pode Município alegar ausência de recursos financeiros ou outra prioridade, pois deixaram bem claro a importância da preservação histórica para a identidade de um povo.
A historiadora Sylvia Paes reforça que o abandono do Solar é um exemplo da falta de identidade do campista e que enquanto “a justiça discute, a casa agoniza”. Sylvia alerta que “falta-lhe a alma para habitar e fazê-la viver”, citando a “deselegância” dos proprietários em desamparar o Solar.
— Airises é uma espécie de palmeirinha muito comum nos campos dos Goytacazes. Airises germinou aí, junto da palmeirinha para contar uma história dos homens, para “deixar bem claro para nós quem poderíamos idealmente ser” (Botton, 1969). O estado de Airises hoje nos apresenta como um povo sem cuidado com nossa própria identidade. Enquanto discute-se na justiça, a casa agoniza, o bem material sem uso não tem razão de existência e entra em ruína. Falta-lhe a alma para habitar e faze-la viver. Os herdeiros entendem que o patrimônio não é mais deles, eles não o querem, eles o abandonaram, eles mostraram sua deselegância e descaso com a própria história familiar. Então, que a Prefeitura em um ato de coragem extrema assuma esse bem e o restaure, com colaboração das instâncias federal e estadual, contando ainda com o apoio de empresários locais e regionais. Só desse modo poderemos ter e legar esse que é uma dos patrimônios mais significativos para nós.
Marcelo Sampaio, presidente do Conselho Municipal de Cultura de Campos dos Goytacazes, menciona que o “que garante qualquer preservação é o uso de fato e continuado do que foi tombado”.
— A questão do Solar dos Airizes sempre foi muito complexa e se tornou mais ainda com as incursões na Justiça. Os tombamentos, lamentavelmente, não são garantias de que os bens tombados serão preservados. Na minha opinião, o que garante qualquer preservação é o uso de fato e continuado do que foi tombado. Por isso, acredito que só um projeto real e realista para o futuro do Solar dos Airizes possa garantir que Campos e toda a nossa região não percam mais este importante patrimônio histórico.
 
Carlos Freitas, historiador e ex-diretor do Arquivo de Campos informa que já haviam tratativas entre os proprietário e a prefeitura e que hoje "será muito mais caro" restaurar o Solar. 
— Pelo visto, toda a questão da preservação patrimonial acabará sempre nos órgãos públicos. Grande parte dos proprietários de imóveis tombados, em suas diversas esferas, os deixam literalmente abandonados à própria sorte, aguardando sua ruína completa, como o caso dos Airises. Há anos acompanho essa morte premeditada, que é geral pelo país. Nesse caso específico, houveram tentativas, frustradas, da prefeitura em adquirir o Solar para um uso cultural, pelo valor que os proprietários pediam. Agora, a justiça determinou que o poder público se posicione e resolva o problema. Demanda de anos, que será muito mais caro resolver se houvesse sido entregue há anos atrás. E os verdadeiros responsáveis pela ruína, sem ser responsabilizados. Isso é o Brasil.
 
Graziela Escocard, historiadora e diretora do Museu Histórico de Campos cita o potencial turístico do Solar e "que devemos cativar a população para o interesse na preservação do nosso patrimônio material e imaterial". Graziela também comenta sobre o suposto tombamento pelo Inepac.
— O Solar dos Ayrizes é um grande potencial turístico para nossa região. Campos carece de outra fonte de renda e essa seria o turismo histórico. Acredito que o Solar dos Ayrizes, poderia se tornar o Museu do Movimento Abolicionista, traçando não só a história de ficção do Bernardo Guimarães, como todo o movimento abolicionista na região. No entanto, acredito na consulta pública. Perguntar para a população o que queremos realizar neste espaço. Tudo que é construído com o envolvimento da comunidade, cria sentindo de pertencimento com a história é a memória afetiva. Assim, que devemos cativar a população para o interesse na preservação do nosso patrimônio material e imaterial. Quero deixar também minha opinião sobre o suposto tombamento pelo Inepac. Na primeira Live do Museu - "Patrimônio em Risco", o Manuel (ex-superintendente do Iphan-RJ), deixou claro que hoje em dia o tombamento não resolve o problema mais sério acerca da preservação dos prédios históricos. O tombamento é apenas um informe para o dona e para a população. Portanto, mais uma instância tombando não resolve o principal problema do Solar do Ayrizes, já que é tombado pela instância maior do nosso país o Iphan. Acredito no poder de conscientização e de trabalho na base por meio da Educação Patrimonial.
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Cultura no escuro em Campos: Museu e Trianon tem novamente energia cortada. Arquivo continua às escuras
04/08/2020 | 11h28
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O Museu Histórico de Campos e o Teatro Trianon amanheceram hoje (04) com suspensão de energia elétrica por falta de pagamento pela Prefeitura de Campos. Em maio, os mesmos equipamentos culturais ficaram às escuras, situação que se perdurou por 28 dias. Desta vez, o Arquivo Público Waldir Pinto de Carvalho também foi afetado. O Arquivo e mais quatro unidades da Prefeitura - Secretaria de Trabalho e Renda, Secretaria de Limpeza Pública, Codemca e Shopping Popular Michel Haddad - tiveram cortes no último dia 29.
De acordo com a Prefeitura de Campos, "a Superintendência de Iluminação Pública já solicitou a Enel, há mais de um ano, a emissão de conta com código de barra individual para pagamento de fatura. Este pedido havia sido negado pela concessionária - que agrupa conta de vários imóveis numa única fatura, fazendo com que o valor da conta fique muito elevado. O município ainda aguarda que este desmembramento total seja feito e toma medidas para que o religamento da luz em prédios em funcionamento, neste momento, seja feito o quanto antes".
A nota informou ainda que "Campos recebeu este mês, o terceiro menor repasse de royalties nos últimos 16 anos. Entre royalties e Participação Especial (PE), Campos já acumula perdas de mais de R$ 150 milhões somente este ano".
Sem fornecimento de energia elétrica, o Museu Histórico e o Arquivo Público ficam sem condições de manter seus acervos e seus prédios seguros. Com o risco de ser apagada a história do município, a cultura e o patrimônio histórico de Campos ficam novamente ameaçados. O Museu, que possui acervo reconhecido e indicado pelo Instituto dos Museus Brasileiros, tem a guarda de importantes elementos da história regional.
O Arquivo, instituição sediada no prédio do Solar do Colégio, em Tocos, também abriga vasto material histórico, de grande importância para os campistas e para a região. A falta de climatização dos ambientes onde estão armazenados esses acervos, ameaça sua integridade.
A grave situação financeira do município é de domínio público, evidenciada por atrasos de pagamentos de pessoal contratado, dentre outros fatos. Energia elétrica e outros serviços básicos para as instituições públicas podem vir a comprometer definitivamente serviços e bens de elevado valor à população, como vem sendo recorrente em Campos.
 
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"EU PROMETO para Campos..." É a economia, idiota!
01/08/2020 | 16h48
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Pouco importa quem são os culpados no desvio da PreviCampos, aludido no relatório da Câmara, lido esta semana. Fazendo uma exceção aos diretamente envolvidos, o que realmente importa para a população é o que a CPI evidencia: o mau (ou criminoso) uso dos recursos públicos e do servidor (ainda mais grave) e o inchaço da máquina pública em Campos.
Aos culpados, o rigor da lei. O caso é grave, mas é preciso que os citados sejam ouvidos, e garantido o direito de ampla defesa e contraditório. Para ser culpado é preciso processo jurídico e o trânsito em julgado.
Fundos de pensão de servidores sempre foram usurpados por toda sorte de malfeitos, infelizmente é uma prática comum de políticos e burocratas corruptos, em várias partes do mundo. Mas em Campos, prender os autores não será o bastante. É preciso combater a causa. Se a CPI foi política ou não, usada com a finalidade de alterar o resultado eleitoral, cabe ao eleitor analisar. Assim como cabe ao munícipe avaliar o que a CPI do legislativo produziu, o que demonstrou.
It's the economy, stupid" (É a economia, idiota). A frase de James Carville, então estrategista da campanha presidencial de Bill Clinton, em 1992, deveria ser a resposta para todos os questionamentos de promessas de campanha dos pré-candidatos em Campos. Com orçamento projetado para 2021 de R$ 1,7 bilhão (podendo ser bem menor) e R$ 1,1 bilhão já comprometido com folha de pagamento, qualquer proposta para a cidade deve pensar primeiro em receitas e despesas.
James Carville, cunhou a frase
James Carville, cunhou a frase "It's the economy, stupid", em 92, quando estrategista da campanha presidencial de Bill Clinton contra George H. W. Bush, presidente dos Estados Unidos na época. / Reprodução
Atacar a despesa da folha de pagamento, que é a bola de ferro no calcanhar da administração municipal, é essencial para qualquer um que sentar na cadeira de prefeito. Em uma cidade que não atraiu investimentos, não se industrializou — e ainda acabou com suas usinas sucroalcooleiras —, não cuida de seu patrimônio histórico para atrair turismo, e com as consequências que isso tudo traz ao comércio, os empregos ficaram muito centrados na prefeitura, inchando a máquina e criando uma intencional dependência.
Soluções? Existem. Endividamento público, atração de investimentos, corte de despesas, redução da máquina administrativa e criação de receitas. Mas é preciso que a vocação do município seja respeitada. E incentivada. O agronegócio e a agricultura familiar podem levar Campos a reconhecer o seu passado e olhar para seu futuro, para quem sabe ser desenvolvida e pungente como o interior de São Paulo, por exemplo.
R$ 5.843.089,37. Foi o orçamento deste ano alocado para a superintendência de Agricultura de Campos. Pasta que sequer possui uma secretaria. O que seria esse valor perto do R$ 1,1 bilhão com pessoal? Como atacar o problema central sem criar receita e reduzir despesa? Como fazer isso sem apoiar o setor agro?
Perguntas que todo pré-candidato a prefeitura deve se fazer. E quem chegar lá, deve responder. Para que não precisemos de CPI, seja eleitoreira ou não.
 
 
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CPI da PreviCampos: Em um jogo de ataques e defesas, situação e oposição falam
30/07/2020 | 21h33
Ao jornalismo se atribui socialmente a função de relatar faces da verdade. O jornalismo profissional —que é essencialmente diferente de publicações virtuais que trabalham sem os parâmetros da verdade e da credibilidade — atua fundamentalmente com fatos. E mesmo com todos os problemas que eventualmente possa apresentar, como falha na apuração ou quando a serviço de interesses políticos — é praticamente impossível considerar a vida em sociedade democrática sem a atuação efetiva da imprensa.
Embora deva perceber a direção de ventos, principalmente de vendavais, o jornalismo não deve se alinhar com a máxima política que diz: “política é como nuvem. Você olha e está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou”, definição do falecido ex-governador mineiro Magalhães Pinto.
Uma dessas ventanias foi o relatório da CPI da PreviCampos que foi lido nesta terça (28), fazendo as nuvens do céu político de Campos mudarem bastante nesta semana. Uma dessas mudanças ocorreram no grupo garotista. Depois de antecipado pela Folha e pelo blog Opiniões, de Aluysio Abreu Barbosa, parecia se consolidar a pré-candidatura de Fábio Ribeiro, ex-secretário de Administração de Campos, na gestão Rosinha, no lugar do deputado federal Wladimir Garotinho. Para disputar a majoritária, Fábio seria o nome escolhido após o cálculo político do grupo garotista, que pretendia manter Wladimir em Brasília.
Fábio foi ao Rio, visitar Anthony Garotinho, que sabidamente tem a palavra final no grupo. Wladimir publicou em rede social que não seria hora de individualismos e que deveriam pensar mais no município que em projetos pessoais. A partir desses fatos, a pré-candidatura de Fábio parecia certa. O que motivou um pedido de entrevista deste blog ao Fábio, que prontamente aceitou e declarou exclusividade. Feita a entrevista por telefone e depois de já preparada para publicação o ex-secretário pediu um prazo até ontem, quarta-feira (29), alegando motivos pessoais e familiares. Diante do pedido e das alegações, foi concedido o prazo solicitado, que não condiz com a praxe jornalística, porém havia uma promessa de exclusividade e a possibilidade de fatos novos que contribuíssem com a informação mais factual e verossímil ao leitor, este merecedor de todo respeito.
Após a leitura do relatório da CPI do PreviCampos, pelo relator Cláudio Andrade, foi citado o nome de Fábio Ribeiro, entre outros envolvidos, com “existência de indícios de improbidade administrativa”. O que tornou a entrevista de domingo anacrônica.
                                *Em respeito ao leitor, ao final desta publicação, deixo a entrevista realizada com Fábio no último domingo*.
O relatório da CPI trouxe os fatos ali apurados, e disponibilizou para qualquer munícipe as informações e quem foram os envolvidos. Impactos políticos a CPI fatalmente e factualmente produziu, alterando o tabuleiro e movimentando oposição, situação e os pré-candidatos da cidade.
O blog procurou representantes de diversas correntes políticas, inclusive novamente o ex-secretário Fábio Ribeiro, citado no relatório.
Este mesmo espaço está franqueado aos mencionados aqui, citados no relatório ou qualquer outro ator político que tenha informações a acrescentar. Foram procurados representantes do grupo político de Arnaldo Vianna, inclusive do pré-candidato Caio Vianna, mas não enviaram respostas.
 
Wladimir Garotinho prefere se posicionar atacando o relatório e o próprio relator. Considera que “a CPI da PreviCampos é totalmente eleitoreira”.
"Essa CPI da PreviCampos é totalmente eleitoreira, depois de 4 anos divulgam um relatório na véspera do período eleitoral para servir de cortina de fumaça para um governo medíocre e ser usada para atacar adversários" (Wladimir Garotinho)
 
—O vereador Cláudio Andrade deveria pedir uma CPI para investigar o perdão de 58 milhões dado pelo governo que ele defende para um grupo privado da área de saúde que apoiou abertamente a sua campanha. Enquanto abre mão para os ricos, não paga o salário do povo trabalhador. Essa CPI da PreviCampos é totalmente eleitoreira, depois de 4 anos divulgam um relatório na véspera do período eleitoral para servir de cortina de fumaça para um governo medíocre e ser usada para atacar adversários. Só sabem lamentar e colocar a culpa no governo passado, ninguém aguenta mais isso. Campos merece quem governe olhando pra frente e pensando no futuro. 
Fábio Ribeiro segue a mesma linha, acusando a CPI de eleitoreira e de uma “tentava de iludir a população”, chamando da CPI de “peça de teatro” e culpa a atual gestão.
"Os membros da CPI, na tentava de iludir a população, esqueceram a boa técnica e desrespeitaram a lei" (Fábio Ribeiro)
— O objeto da CPI da Previcampos já foi auditado pelo Tribunal de Contas do Estado e por um Auditoria independente. Assim, qual a finalidade de sua instalação? Impedir a instalação da CPI saúde e servir de palanque eleitoreiro para os seus membros. A PREVICAMPOS possui autonomia administrativa e financeira. Os membros da CPI, na tentava de iludir a população, esqueceram a boa técnica e desrespeitaram a lei. Fizeram do Relatório um panfleto de especulação politica. Assim, a divulgação dessa peça de teatro é prova inequívoca do descaso dos atuais gestores e vereadores governistas com a Saúde de Campos, que pode está matando gente por falta de assistência. Isso nos motiva cada vez mais a continuar a caminhada por uma Campos unida, que ofereça serviços de qualidade para o nosso povo. 
Roberto Henriques, ex-prefeito e pré-candidato a majoritária em 2020, lembra do direito de defesa dos acusados.
"Não devemos condená-los prematuramente, eles tem o direito à ampla defesa que é consagrado através da constituição federal. A palavra agora, depois do relatório, está com aqueles que foram acusados " (Roberto Henriques)
—Eu me recuso a crer que um vereador do parlamento campista, juramentado, e não é um só, são membros de uma comissão, todos juramentados, juraram sob a constituição do município e da federal. Eu me recuso a crer que eles iriam fraudar qualquer tipo de relatório. Eles não podem mentir em apurações acerca de recurso do tesouro público, e nem de outra natureza. Portanto, também reconheço que aqueles que estão sendo acusados como responsáveis ou corresponsáveis, nós não devemos condená-los prematuramente, eles tem o direito à ampla defesa que é consagrado através da constituição federal. A palavra agora, depois do relatório, está com aqueles que foram acusados e a eles devem dar o direito da defesa.
Alexandre Bastos, secretário de Governo de Rafael Diniz rebate o grupo de oposição garotista.
"Os anos passam e esses Garotinhos nunca crescem" (Alexandre Bastos)
— Os anos passam e esses Garotinhos nunca crescem. Ao invés de explicar o absurdo que foi cometido com os recursos dos servidores públicos, eles preferem se vitimizar e colocar a culpa em quem desmascara o modus operandi deles.
 
 
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Entrevista com Fábio Ribeiro que seria publicada no último domingo (26):
Como a Folha e o blog Opiniões de Aluysio Abreu Barbosa adiantaram ontem (25) e hoje (26), (confira aqui e aqui) o ex-vereador Fábio Riberio (PSD) poderá assumir a pré-candidatura do garotismo em Campos. Wladimir Garotinho (PSD), filho do líder do grupo, Anthony Garotinho (sem partido), sempre alegou que a concretização de seu nome dependeria de uma decisão do grupo. Não confirmava, mas também não negava que seria o candidato escolhido após as convenções partidárias (que deverão acontecer após 31 de agosto, data definida após o adiamento das eleições municipais deste ano, pela pandemia do coronavírus).
Fábio foi ao Rio de Janeiro ontem e se encontrou com Garotinho e Rosinha. Em suas redes sociais divulgou o encontro, com a frase: “Uma conversa sobre o futuro de Campos sim, mas sobretudo, sobre amizade, lealdade e paz!”. Wladimir não compareceu ao encontro.
Fábio falou ao blog nesta noite de domingo com exclusividade. Animado com o encontro de ontem, que disse ter sido uma oportunidade de “rever grandes amigos que não via há um tempo”, o ex-vereador repete o discurso de Wladimir e não confirma, mas também não nega a possibilidade de disputar em Novembro a majoritária. Fábio diz que o grupo “deixou a vaidade de lado” e que seria muito mais “confortável” ter Wladimir como candidato, mas que poderia ser “melhor para Campos” mantê-lo como Deputado Federal.
Confira a conversa do blog nesta noite, por ligação telefônica, com Fábio Ribeiro:
—Deixamos a vaidade de lado e estamos pensando em Campos. Campos precisa de paz. Precisa de pacificação política. Nossa realidade financeira, política, com uma arrecadação que só cai, e com a pandemia (do coronavírus), precisaremos muito de Brasília e do Estado. A gente (o grupo do garotismo) está conversando muito. Temos hoje um Deputado Federal de Campos eleito, que é o Wladimir, temos outro, mas exerce o mandato ocupando a cadeira deixada por um deputado que participa de um governo (do governador Wilson Witzel) que está prestes a implodir. Campos vai precisar dessa união. E precisa de um representante legítimo em Brasília.
Wladimir continua pré-candidato? Fábio diz que sim:
—Wladimir é o protagonista do grupo. Ele tem um sonho de ser prefeito de sua cidade, está preparado e vem se preparando ainda mais para isso. Ele ainda é o nosso pré-candidato, como presidente do PSD local posso te afirmar isso.
Fábio fala de seu encontro do Garotinho no Rio:
—Fui ao Rio rever grandes amigos e fui muito bem recebido, como sempre, pelo casal Garotinho. A gente vem construindo um projeto para Campos. E pensando se não seria melhor a cidade ter um representante legítimo em Brasília. Veja, seria muito mais confortável para nosso grupo manter o Wladimir como pré-candidato. Mas primeiro precisamos pensar no município. Existem outros nomes do grupo que podem ser uma alternativa, eu não sou o único.
Fábio ou Wladimir, ou outro do grupo de Garotinho, ou qualquer outro que pretenda governar Campos nos próximos anos, terá que responder ( ou pelo menos tentar) a pergunta feita no Blog Opiniões de Aluysio Abreu Barbosa: “Como governar uma cidade com R$ 1,6 bilhão de orçamento e R$ 1,1 bilhão comprometido com pagamento de servidor?”. Pergunta até agora sem reposta, mas com uma certeza: todos nós, campistas, pagaremos essa conta.
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Arquivo Público tem energia cortada por falta de pagamento e documentação histórica de Campos fica em risco
30/07/2020 | 16h11
Nesta quarta-feira (29) diversas unidades da prefeitura de Campos tiveram a energia elétrica suspensa por falta de pagamento. Foram afetadas a Secretaria de Trabalho e Renda, Secretaria de Limpeza Pública, Codemca, Shopping Popular Michel Haddad e o Arquivo Público Waldir Pinto de Carvalho. Em maio, a Enel já havia cortado a energia do Museu Histórico, do Teatro Municipal Trianon, que sedia a Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, e de outros sete prédios públicos de Campos. No caso específico do Museu, ficaram comprometidas na ocasião a segurança, limpeza e preservação de acervos guardados no prédio, como denunciado à Folha pela diretora do espaço, Graziela Escocard.
A cultura e o patrimônio histórico de Campos ficam novamente ameaçados com o corte no Arquivo, instituição sediada no prédio do Solar do Colégio, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Além da construção que fica comprometida com a falta de energia, por estar localizada em local afastado do centro da cidade, em área rural, a instituição abriga vasto material histórico, de grande importância para os campistas e para a região.
Segundo a concessionária Enel, a dívida com a prefeitura vem sendo negociada e os cortes tem respaldo na Resolução nº 878/2020 da Aneel, que determinam as condutas “durante o cenário envolvendo o avanço da COVID-19 no país”. Procurada pelo blog, a Enel respondeu por meio de nota, onde alega que "não houve nenhum avanço nas negociações” com a prefeitura:
— A Enel Distribuição Rio informa que realizou cortes em prédios públicos não essenciais do Município de Campos dos Goytacazes, em função de débitos da administração municipal com a empresa. Entre os locais impactados pelos cortes, está o Shopping Popular do município. A companhia esclarece que vem tentando negociar o débito com a Prefeitura, mas até o momento não houve nenhum avanço. A empresa segue aguardando um retorno da administração da cidade para negociação da dívida. A Enel reforça que somente tomou a decisão de interromper o abastecimento de energia após tentar negociar o débito em diferentes ocasiões — informa a nota da Enel.
Rafaela Machado, diretora do Arquivo, mostra grande preocupação com a integridade da documentação do Arquivo, e lembra ter “a guarda de toda documentação histórica do município, inclusive da Câmara Municipal e da Prefeitura”:
— Além da preocupação com a segurança do edifício e do acervo, outra grande preocupação é com a integridade da documentação, já que fazemos uso de ar condicionado e aparelhos de desumidificação para fazer o controle de temperatura e umidade das salas. A manutenção periódica desse acervo é crucial para a sobrevivência dos documentos. Como muitos sabem, o Arquivo tem a guarda de toda documentação histórica do município, inclusive da Câmara Municipal e da Prefeitura.
A grave situação financeira do município é de domínio público, evidenciada por atrasos de pagamentos de pessoal contratado, dentre outros fatos. Energia elétrica e outros serviços básicos para as instituições públicas podem vir a comprometer definitivamente serviços e bens de elevado valor à população, como vem sendo recorrente em Campos.
A assessoria de Comunicação (Supcom) da prefeitura informou depende de individualização de contas de energia para regularizar a situação e cita a situação econômica do município. 
— A superintendência de Iluminação Pública já solicitou a Enel, há mais de um ano, a emissão de conta com código de barra individual para pagamento de fatura. Este pedido havia sido negado pela concessionária - que agrupa conta de vários imóveis numa única fatura, fazendo com que o valor da conta fique muito elevado. O município ainda aguarda que este desmembramento total seja feito e toma medidas para que o religamento da luz em prédios em funcionamento, neste momento, seja feito o quanto antes. Campos recebeu este mês, o terceiro menor repasse de royalties nos últimos 16 anos. Entre royalties e Participação Especial (PE), Campos já acumula perdas de mais de R$ 150 milhões somente este ano — informa a prefeitura. 
 
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Corte de energia na prefeitura - Depois do Museu, Arquivo Público tem energia elétrica cortada
30/07/2020 | 14h20
Nesta quarta-feira (29) unidades da prefeitura de Campos tiveram novamente a energia elétrica suspensa por falta de pagamento. Desta vez, as unidades da Secretaria de Trabalho e Renda, Secretaria de Limpeza Pública, CODEMCA, Shopping Popular Michel Haddad e o Arquivo Público Waldir Pinto de Carvalho ficaram sem luz. Em maio a Enel cortou a energia do Museu Histórico, do Teatro Municipal Trianon, que sedia a Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, e de outros sete prédios públicos de Campos. No caso específico do Museu, ficaram comprometidas na ocasião a segurança, limpeza e preservação de acervos guardados no prédio, como denunciado à Folha pela diretora do espaço, Graziela Escocard.
Desta vez a cultura e o patrimônio histórico de Campos ficam novamente ameaçados com o corte no Arquivo, instituição sediada no prédio do Solar do Colégio, tombado pelo Iphan. Além da construção que fica comprometida com a falta de energia, por estar localizada em local afastado do centro da cidade, em área rural, a instituição abriga vasto material histórico, de grande importância para os campistas e para a região.
Segundo a concessionária Enel, a dívida com a prefeitura vem sendo negociada e os cortes tem respaldo na Resolução nº 878/2020 da Aneel, que determinam as condutas “durante o cenário envolvendo o avanço da COVID-19 no país”. Procurada pelo blog, a Enel respondeu por meio de nota, onde alega que "não houve nenhum avanço nas negociações” com a prefeitura:
— A Enel Distribuição Rio informa que realizou cortes em prédios públicos não essenciais do Município de Campos dos Goytacazes, em função de débitos da administração municipal com a empresa. Entre os locais impactados pelos cortes, está o Shopping Popular do município. A companhia esclarece que vem tentando negociar o débito com a Prefeitura, mas até o momento não houve nenhum avanço. A empresa segue aguardando um retorno da administração da cidade para negociação da dívida. A Enel reforça que somente tomou a decisão de interromper o abastecimento de energia após tentar negociar o débito em diferentes ocasiões — informa a nota da Enel.
Segundo a diretora do Arquivo, Rafaela Machado, existe grande preocupação com a integridade da documentação do Arquivo, que ele lembra ter “a guarda de toda documentação histórica do município, inclusive da Câmara Municipal e da Prefeitura”:
— Além da preocupação com a segurança do edifício e do acervo, outra grande preocupação é com a integridade da documentação, já que fazemos uso de ar condicionado e aparelhos de desumidificação para fazer o controle de temperatura e umidade das salas. A manutenção periódica desse acervo é crucial para a sobrevivência dos documentos. Como muitos sabem, o Arquivo tem a guarda de toda documentação histórica do município, inclusive da Câmara Municipal e da Prefeitura.
A grave situação financeira do município é de domínio público, evidenciada por atrasos de pagamentos de pessoal contratado, dentre outros fatos. Energia elétrica e outros serviços básicos para as instituições públicas podem vir a comprometer definitivamente serviços e bens de elevado valor à população, como vem sendo recorrente em Campos.
A assessoria de Comunicação (Supcom) da prefeitura informou depende de individualização de contas de energia para regularizar a situação e cita a situação econômica do município.
— A superintendência de Iluminação Pública já solicitou a Enel, há mais de um ano, a emissão de conta com código de barra individual para pagamento de fatura. Este pedido havia sido negado pela concessionária - que agrupa conta de vários imóveis numa única fatura, fazendo com que o valor da conta fique muito elevado. O município ainda aguarda que este desmembramento total seja feito e toma medidas para que o religamento da luz em prédios em funcionamento, neste momento, seja feito o quanto antes. Campos recebeu este mês, o terceiro menor repasse de royalties nos últimos 16 anos. Entre royalties e Participação Especial (PE), Campos já acumula perdas de mais de R$ 150 milhões somente este ano — informa a prefeitura.
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A culpa é nossa e da ema envergonhada
25/07/2020 | 21h56
Bolsonaro e a ema envergonhada - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) flagrado nesta quinta (23) exibindo uma caixa de cloroquina para as emas que vivem no Palácio da Alvorada. A cena foi flagrada por repórteres fotográficos que cobriam a movimentação presidencial no local.
Bolsonaro e a ema envergonhada - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) flagrado nesta quinta (23) exibindo uma caixa de cloroquina para as emas que vivem no Palácio da Alvorada. A cena foi flagrada por repórteres fotográficos que cobriam a movimentação presidencial no local. / Reprodução
 
Há quem diga que o passado não tem importância. Ledo engano. A sociedade evolui justamente por ter aprendido com o passado, evoluindo as relações entre pessoas e instituições — públicas e privadas.
Por exemplo: a separação dos poderes, herança de pensadores antigos, principalmente Montesquieu, determinando que o Legislativo, Judiciário e o Executivo devem ser independentes e harmônicos; conceito utilizado até hoje na quase totalidade das democracias do mundo. Outro conceito importante: o estado laico, onde são separados o Estado e a Religião, conceito vindo lá da Revolução Francesa (1789-1799), para impedir que grupos religiosos influenciem diretamente o governo, e principalmente para que o Estado não tenha uma religião definida. Respeite a religião de todos. Esse conceito está na maioria das constituições modernas, inclusive na brasileira.
Bolsonaro como
Bolsonaro como "garoto propaganda" da cloroquina / Reprodução
 
Mas o Brasil de hoje não parece ter aprendido com seu passado. Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, propôs nesta quinta-feira (23) uma PEC para determinar que militares que aceitem participar de governos sejam colocados automaticamente na reserva. O que valeria também para congressistas, perdendo os mandatos caso exerçam funções no executivo. A necessidade propor uma Proposta de Emenda à Constituição nesses moldes mostra que o passado recente do país foi convenientemente esquecido.
O governo Bolsonaro possui 6.157 militares em seus quadros. Da ativa e da reserva. No ministério da Saúde temos um general da ativa. As Forças Armadas não podem se identificar com governo algum. Elas são aparatos de estado, não de governo. Isso acontece na Venezuela (sim, aquela mesma Venezuela que os bolsonaristas falavam que íamos ficar iguais com a vitória de outro grupo político).

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Por falar em passado e saúde, na medicina o passado tem uma importância vital. As pesquisas acontecem antes de decisões médicas. São necessários anos de estudo para que alguém possa assinar e carimbar uma receita, prescrevendo um medicamento. Mesmo sabendo que não há problema algum o ministro da Saúde não ser médico, pode ser um gestor de saúde pública sem ser formado em medicina, é consenso que problema há de ser um militar da ativa, que cumpre uma "missão" em meio à pior crise sanitária da nossa época.
General Pazuello da ativa, ocupa o ministério da Saúde desde o pedido de demissão de seu antecessor. A cloroquina foi apontada como o motivo da saída do ex-ministro Nelson Teich
General Pazuello da ativa, ocupa o ministério da Saúde desde o pedido de demissão de seu antecessor. A cloroquina foi apontada como o motivo da saída do ex-ministro Nelson Teich / Reprodução
O exército produziu cloroquina aos montes sob ordem do seu Comandante em Chefe, mesmo sem qualquer pesquisa científica que comprovasse definitivamente sua eficácia contra o coronavírus. Bolsonaro faz propaganda abusiva de um medicamento, inclusive se dizendo curado por ele. Com fotos com 'jóinha' em material panfletário. E o mais grave: expôs uma caixa de cloroquina, à erguendo como se fosse a Taça da copa do mundo de 70, numa simbiose religiosa entre pastor e rebanho, trazendo o milagre.
Fatos, registrados por fotografias, que são o resumo visual do oposto da evolução humana. A anti-evolução. O retrógrado. O obscurantismo, a ignorância. A ema da Alvorada correndo de Bolsonaro, quase que entendo todo o simbolismo daquilo e se retirando às pressas por vergonha, mostram que ter o Capitão Corona na presidência é culpa nossa. De todos. Até da ema envergonhada.
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Crônica de domingo: #Deixem a mulher trabalhar!
19/07/2020 | 22h07
Para ela, era mais um dia normal no tal “novo normal”. Na TV, antes de sair, ouviu a recomendação de ficar em casa. “Fique em casa!”. “Se puder”, já dizem os apresentadores de rádio e TV, de um tempo pra cá. No ponto do ônibus, daquela manhã, estavam um monte de gente que pertencia ao grupo dos que “não podem”. Gente dos serviços essenciais, gente de comércio, que está abrindo no sistema de entrega na porta do estabelecimento, gente da periferia, pessoal das padarias, das farmácias, gente que mora em Guarus, mas precisa ir ao centro trabalhar.
Ela estava ali no ponto. Atrás dela e daquela gente toda – uma boa parte de máscara, é verdade –, que lotava o transporte público da cidade, podia-se ver um outdoor. Ela nem percebeu, era mais uma daquelas propagandas de loja do shopping. Esses dias viu um desses divulgando uma live e deu uma risada interna. Propaganda de rua para evento virtual! Pois sim. “Dá retorno financeiro assim, essas lives?” Indagou-se, também sem externar para suas companhias que chocalhavam no mesmo transporte público. Mas não percebeu que aquele outdoor era um pouco diferente.
Assim que subiu no ônibus, depois de sentar-se e de um bom dia, sufocado pela máscara, para quem já estava sentando próximo à janela, pôde ver melhor a placa de propaganda. Era o presidente Bolsonaro. Dessa vez não resistiu e provocou o rapaz de mochila e fone no ouvido, que pela janela também olhava o outdoor:
—Ué, propaganda do presidente? perguntou a mulher. Já estamos em campanha? Esse ano não é para prefeito?
—Tô vendo isso também. Né campanha não, senhora. É que o pessoal aí está satisfeito com Bolsonaro.
—Que engraçado. Cada doido com sua loucura.
—Eu gostei. Recebi meus R$ 600,00 direitinho, governo de respeito. Tá colocando ordem nas coisas. Bolsonaro é patriota.
—Olha menino, não tenho tempo de ler muito as notícias não, mas esses R$ 600 foram aprovados pela Câmara. Parece que Bolsonaro queria dar R$ 200. E ainda somos o 2º pior país do mundo nessa coisa toda de coronavírus.
—A senhora tá lendo muito o Globo. O dinheiro veio do governo. E pelo que sei somos o que tem mais curados. Se usássemos a cloroquina, ia está tudo resolvido. E chegou aonde chegou por causa dos Governadores. E aqui por causa desse Rafael aí, que fechou tudo.
—Eu sou enfermeira. 25 anos lá no Ferreira. Não receito remédio não. Mas pelo que ouço lá dos médicos, essa história de mais curados é por que temos muitos casos, então é natural que tenhamos mais curados. E olha, já vi um monte morrer desse troço. Não desejo a ninguém. Não é nada de gripezinha. Mas, deixa isso pra lá, eles estão ricos e a gente aqui nesse ônibus.
O rapaz voltou a colocar os dois fones de ouvido, a mulher segurou sua bolsa mais firme, o ônibus já tinha saído do ponto. Mais adiante a mulher viu outro outdoor daqueles. Olhou com mais atenção. Dessa vez, sem conversar, conseguiu ler a frase que tinha depois da hashtag: “deixeohomemtrabalhar”. Pensou até em mostrar para o menino, mas achou que não valeria a pena.
Ao descer perto do hospital, lá estava outra propaganda de rua. Pensou: “Caramba. Esse pessoal gastou foi é dinheiro com isso. Devem estar querendo que ele trabalhe mesmo”. Para mais um dia de trabalho arriscado, colocou todos os EPI´s que tinha ali disponíveis e começou a ler os prontuários. Pouco depois, uma amiga que trabalhava na limpeza se aproxima. Voltou a tocar no assunto:
Deixa eu trabalhar.
Deixa eu trabalhar.
—Ei, você viu esse monte de placa na cidade com a cara do presidente? Perguntou ainda olhando para um prontuário com suspeita de covid-19. 
—Vi. Tem um montão. Deixa o homem trabalhar!
—Pois é. Mas tem alguém impedindo?
—Tem, menina. Vi ele falar no YouTube. Parece que é uma tal de democracia.
—Ah é? Bom, sei lá o que esse povo pensa. Olha, deixa eu trabalhar.
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"Quero fazer um dia de mergulho na cultura de Campos"; "Nos próximos dias o escritório do Inepac será uma realidade" - Danielle Barros, secretária estadual de Cultura
17/07/2020 | 22h59
O Arquivo Público Waldir Pinto de Carvalho realizou um bate-papo virtual nesta sexta (17), com transmissão em redes sociais e transmitido pelo canal oficial da TV Câmara de Campos, com a presença da secretária de Cultura e Economia Criativa do Estado do Rio de Janeiro, Danielle Barros. Entre outros assuntos, a secretária confirmou a vinda do escritório do Inepac (Instituto Estadual do Patrimônio Cultural) para Campos e também sua visita técnica à cidade, que acontecerá nos próximos dias. A diretora do Arquivo, Rafaela Machado, conduziu a live trazendo ainda as explicações da secretária sobre os próximos passos da Lei Aldir Blanc, aprovada recentemente no Congresso Nacional, que terá sua execução a cargo dos estados e municípios, e que socorrerá o setor cultural.
Tendo a cultura de Campos e região como tema principal, que abrangeu o patrimônio histórico, os equipamentos culturais e o apoio aos “fazedores de cultura” da cidade, a secretária iniciou a entrevista entusiasmada com a movimentação do setor em Campos:
—Satisfeita saber que temos uma live com uma boa audiência numa sexta-feira à noite, onde a gente vai falar de uma temática muito interessante, que é a cultura. É um enorme prazer. E falar com o público da região norte e noroeste fluminense, aumenta minha disposição de estar aqui, porque eu gosto muito dessas regiões, andei muito por essa regiões e eu tenho um carinho muito especial, que qualifica muito a nossa conversa —enalteceu Danielle Barros.
Rafaela Machado, diretora do Arquivo, comenta que "a presença da secretária falando com todo o norte e noroeste através dessa live do Arquivo é mais um passo que damos no sentindo de estreitarmos os laços com a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado do Rio de Janeiro que têm feito um excelente trabalho de aproximação com municípios do interior do estado. Acredito que a visita da secretária a Campos é não só muito aguardada, como também será essencial para delimitarmos as ações que o Inepac e os demais braços da Secretaria podem ter na região. Temos muitas demandas, pleitos muito antigos e de vários setores. Essa aproximação é urgente, necessária e vem em excelente momento".
 
O escritório do Inepac em Campos
A cidade de campos possui nove bens tombados pelo Inepac e terá em breve um escritório técnico do órgão, que é um desejo antigo das entidades locais ligadas à preservação. Essa ação já havia sido divulgada pelo diretor geral do órgão, Claudio Prado de Mello, durante live com a diretora do Museu Histórico de Campos, Graziela Escocard, no último domingo (5). De acordo com Cláudio, o município foi escolhido para sediar o escritório técnico do Norte Fluminense após parceria com a Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL). Está acordado entre os envolvidos a instalação nas dependências do Museu
A secretária confirmou a vinda do escritório e se disse “entusiasmada” com a iniciativa, dando uma previsão de 45 dias para se concretizar. Informou ainda que a parceria com a prefeitura de Campos foi fundamental para a concretização e que também aconteceu por forte demanda da sociedade civil, onde segundo a secretária, “muita gente do bem querendo que isso aconteça". Ela afirma ainda que está "altamente afetados por essa corrente do bem e vamos acelerar para que isso logo aconteça”.
— Sempre foi um desejo de o órgão ter esses escritórios regionais. Mas acontece que a gente tem uma dificuldade de manter isso. Temos uma necessidade de fazer um enxugamento de nossas contas e o governador Wilson Witzel assumiu o estado do Rio de Janeiro numa situação muito difícil em relação aos salários dos servidores, e precisou enxugar mesmo para colocar esses salários em dia, assim como está hoje, mesmo em meio a toda essa crise econômica. Mas essa dificuldade nos obrigou, em um determinado momento, a deixar de pensar em escritórios em determinadas regiões e ter servidores espalhados pelo estado. Precisávamos concentrar os servidores em um lugar só para ter uma otimização dos recursos. Porém quando a prefeitura de Campos manifestou uma parceria, e nesse sentido quero enaltecer esse movimento, que só está sendo possível por conta dessa parceira que está se efetivando para isso (a instalação do escritório do Inepac), com a participação da sociedade civil, pois era uma demanda da sociedade civil, e a prefeitura de Campos apoia essa demanda, e ela só vai se efetivar por conta disso, pois a gente conseguiu abrigar isso por esse desejo popular e uma demanda da região. Nós estamos felizes com isso. Estamos trabalhando para que nos próximos 45 dias a gente de fato se organize para fazer isso acontecer, a gente está entusiasmado, eu espero que seja um ganho para a região, nós temos um deputado na Alerj (Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) que é defensor das melhorias para a região de Campos, que é o Deputado Bacellar (Rodrigo Bacellar/SDD), que também está muito empenhado nisso, está entusiasmado, e temos muita gente do bem querendo que isso aconteça e nós estamos altamente afetados por essa corrente do bem e vamos acelerar para que isso logo aconteça — informou a secretária.
A secretária confirma sua presença em Campos nos próximos dias
Além do escritório do Inepac, a secretária confirmou uma visita técnica em Campos nos próximos dias. A visita foi solicitada via ofício pelo Arquivo Público de Campos. A expectativa é que a secretaria de Cultura do Estado possa conhecer de perto as necessidades e urgências do setor cultural de Campos e de seus patrimônios materiais e imateriais.
— Eu já estou querendo isso há algum tempo. Estou com minha agenda disponível daqui a 10 dias, e quero me submeter à agenda de vocês na região. Então pensem em um dia muito bacana, para a gente visitar patrimônio, para a gente conhecer as casas de arte aí de Campos, para a gente fazer esse dia em um dia de mergulho mesmo na cultura de Campos — confirma a secretária.
 
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