No próximo dia 19, a pouco mais de uma semana, os eleitores dessa complexa Argentina decidirão seu próximo presidente. A escolha se dará entre um ministro da Economia, representante da continuidade, que surpreendeu ao sair vitorioso no primeiro turno, e um controverso libertário que representa ruptura total, e propõe ideias ultraliberais.
Sergio Massa, o candidato-ministro, recebeu 36,7% dos votos no domingo (22/10) contra os quase 30% de Javier Milei, o candidato antissistema. Milei estava cotado como favorito, mas Massa foi favorecido pelas polêmicas que o adversário protagonizou, até com o Papa Francisco (Milei disse que Francisco “tem afinidade pelos comunistas assassinos”).
Javier Milei, da coligação “La Libertad Avanza”, lidera as intenções de votos úteis do segundo turno com 52,1%, e o candidato Sergio Massa, da “Unión por la Patria”, aparece com 47,9%, segundo a última pesquisa Atlas Intel, divulgada nesta sexta-feira (10).

Thomaz explica que “em que pese os problemas econômicos, em especial a inflação, bastante elevada, o desemprego é menor que o brasileiro (abaixo de 7%), e há a política de subsídios e valorização do salário mínimo para conter a inflação”. Isso poderia ter favorecido Massa no primeiro turno, além do fato de, segundo ele, “o povo conhecer também o setor liberal na Argentina e sabe que seu compromisso popular é zero”.
O jornalista lembra que é preciso avaliar os impactos da crise Israel-Palestina e que o alinhamento dos eleitores da terceira colocada, Patrícia Bullrich, com Milei “não é direto assim”. Thomaz aposta “numa vitória apertada de Massa, como ocorreu com Lula no Brasil e outros candidatos de centro-esquerda na América Latina recentemente”, e explica o porquê. Confira:
Edmundo Siqueira (Folha1) - Embora a Argentina seja um país influenciado pelo contexto da AL, é um país com características próprias, muito específicas. O que levou Massa a vencer o primeiro turno com a economia argentina em frangalhos, sendo ele representante máximo da continuidade nessa área?

Em que pese os problemas econômicos, em especial a inflação, bastante elevada, o desemprego é menor que o brasileiro (abaixo de 7%), há a política de subsídios e valorização do salário mínimo para conter a inflação, o que dá um amparo aos setores populares e o receio disso se perder. Parte da estratégia eleitoral foi justamente focar nessa política de redução de danos, o que, parece, surtiu efeito. Mas o povo conhece também o setor liberal na Argentina e sabe que seu compromisso popular é zero.
Edmundo - Milei usou uma estratégia conhecida de políticos dessa nova onda de populismo de direita: redes sociais, declarações polêmicas e estridência. No caso do Milei uma adesão ao ideal libertário. O voto que ele recebeu foi de revolta ou de esperança em uma virada radical na Argentina?
Thomaz - Difícil separar. Milei ascende num contexto em que as duas alternativas majoritárias - os peronistas e os liberais, representados pela Unión Civica Radical, de Macri e Bullrich — já foram testadas e não tiraram o país dessa situação. Mas a onda Milei tem suas limitações. Tem um piso alto e um teto baixo. E suas propostas econômicas não são consensuais. Sua proposta de dolarização, segundo o Atlas Intel, tem uma aprovação semelhante à sua (em torno de 1⁄3 do eleitorado). Imagino que isso se dê pela memória da crise de 2001, quando os argentinos tiveram seu dinheiro congelado. É bom lembrar que, na Argentina, ao contrário do Brasil, a estabilização econômica nos anos 90 foi feita com base numa semidolarização da economia. Era possível, por exemplo, poupar em dólar.
A situação se estabilizou com os Kirchner, muito graças ao ‘boom’ de commodities. Eles conseguiram orientar bem as políticas nesse período: renegociaram com os credores externos, buscaram, no possível, fortalecer o setor produtivo, reestatizaram empresas estratégicas. A Argentina cresceu em média 8% no período, enquanto o Brasil cresceu 4%. Mas já era um país muito mais vulnerável.

Thomaz - As pesquisas têm mostrado que o alinhamento não é direto assim. E Milei, assustado com a votação, tem sido menos “Milei”, o que, para o tipo de político que ele é, é ruim como estratégia eleitoral. Acredito que quem vai decidir a eleição não é tanto o eleitorado liberal que votou em Bullrich, mas sim os eleitores que não votaram (25%). Acredito numa vitória apertada de Massa, como ocorreu com Lula no Brasil e outros candidatos de centro-esquerda na AL recentemente. Isso não significa, todavia, uma saída para a crise argentina.
Precisamos ver também o impacto da crise Israel-Palestina sobre o país. A Argentina tem uma população judia muito grande, segundo se projeta é a sexta maior do mundo. Não creio que haverá, dada a conjuntura interna extremamente grave, mas já houve um atentado islâmico contra a sede de uma organização israelita no país e volta e meia buscam ligar os peronistas aos grupos islâmicos.
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Edmundo Siqueira
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