
Daqui a pouco mais de quatro meses estaremos escolhendo os prefeitos e vereadores das cidades brasileiras. Independente do tamanho que possuem, os municípios estarão discutindo as questões que dizem respeito ao cotidiano das pessoas e dos elementos urbanos dos quais precisam conviver.
Campos dos Goytacazes é um município médio. Com uma população aproximada de 500 mil pessoas, uma área efetivamente urbana oferecendo diversos serviços públicos e com algo em torno de 119 habitantes por quilômetro quadrado, a cidade consegue trazer as facilidades da urbanidade, mas também sofre com os problemas que se arrastam.
E ainda há uma visível dependência dos royalties e participações especiais vindos da exploração de petróleo na Bacia de Campos, que precisa ser resolvida com urgência principalmente pela finitude desses recursos. Embora a urgência dessa condição, e ela ter provocado baixo investimento público para a atração de atores econômicos geradores de empregos, como indústria, comércio e tecnologia, que levou a prefeitura a ser a principal empregadora da cidade, Campos carece de resolver seu processo de urbanização antes de pensar em melhorar essa dependência.

Enquanto não houver soluções definitivas e sustentáveis em transporte público, Campos não terá permitido que a cidade se integre, e com isso aumentando a circulação de pessoas e atraindo gente de fora. Com os riscos que sua topografia traz e o presente desequilíbrio ambiental no mundo, o município não consegue planejar seu crescimento sem antes criar uma política pública voltada aos recursos hídricos, de caráter técnico e permanente, que também será essencial para a prevenção de catástrofes ambientais.
Na área central, onde estão os serviços públicos em maior quantidade e qualidade, aconteceu um fenômeno também visto em outras cidades com características semelhantes a de Campos: o comércio se esvaiu do centro histórico e deslocou-se para outras áreas, que acabaram por concentrar nichos comerciais de maior valor agregado. No caso campista, a Pelinca e suas adjacências se firmaram como esse local.

É preciso perceber que o comércio e o cuidado urbanístico são interdependentes. Ações que visem definir o zoneamento da cidade, com suas potencialidades, instalação de parquímetros, zeladoria, infraestrutura e ocupação de espaços públicos como praças e patrimônios históricos, estão diretamente ligadas ao sucesso econômico dos comerciantes. Assim como uma área comercial pujante acaba por forçar um processo urbanístico de qualidade. São interdependentes e complementares.
Por isso, definir que uma praça pública subutilizada se transforme em um centro comercial importante, que traga empregos, dê condições dignas aos comerciantes e clientes e ainda descortine patrimônios históricos, é algo perfeitamente legal e viável, pois age em nome do bem coletivo, e que deve ser apoiado. Criticado e adaptado, mas apoiado.

Além disso, levar opções de moradia para o centro poderá retomar ali o movimento necessário para que comércio e urbanidade cumpram seus papéis em relativa harmonia. Assim como instalar secretarias da prefeitura em prédios históricos da área central, ação que conseguem auxiliar nesses mesmos processos e ainda protegem os patrimônios envolvidos.
Estamos em ano eleitoral, onde somos chamados a escolher o destino dos próximos quatro anos da cidade. Pela regra do jogo democrático, essa escolha define também quais políticas públicas serão implementadas, quais serão descontinuadas, quais serão perenes e o que será definido como prioridade. Urbanidade talvez devesse ser o nome desse jogo.
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Edmundo Siqueira
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