Estromatólitos: um tesouro de 5 mil anos na região da Baixada Campista
Dora Paula Paes 22/03/2025 11:55 - Atualizado em 22/03/2025 11:58
Muro feito com estromatólitos na Lagoa Salgada
Muro feito com estromatólitos na Lagoa Salgada / Divulgação Aristides Soffiati
O Parque Estadual da Lagoa do Açu, entre Campos e São João da Barra, guarda tesouros naturais e históricos. Na Lagoa Salgada, no campo científico, chama a atenção os estromatólitos, que são formações fósseis de microorganismos, com a fossilização de organismos unicelulares, fruto de processo de milhões de anos, porém, na lagoa, datados de 5 mil anos. Após um estudo apresentado por pesquisadores do Rio Grande do Norte, os estromatólitos da Baixada Campista são protegidos pela Unesco. Tão raros, além da região, só podem ser encontrados na Austrália, México e Bahamas. Vale salientar que nesta mesma área andaram os jesuítas, um outro marco histórico. Nos 12 anos do Parque, completados na quinta-feira (20), o ambientalista e historiador, Aristides Soffiati, abre margem para mais pesquisas: “Todos dizem que a lagoa de Araruama é a mais hipersalina do Brasil, mas a Salgada é mais. Deve ser mais estudada. Suspeito que em suas margens existam campos salinos, ambiente ainda não registrado na Região”.

Com 8.276 hectares de Mata Atlântica, a unidade de conservação é administrada pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Ela também abriga uma rica diversidade biológica: extensa vegetação de restinga e 240 espécies de aves, que migram passando pela localidade. O Parque também é muito procurado pelos visitantes para a prática de esportes, como canoagem, stand up paddle e surf.
Um dos 10 marcos deixados pelos jesuítas
Um dos 10 marcos deixados pelos jesuítas / Divulgação Aristides Soffiati

Suas trilhas, por onde Soffiati já caminhou algumas vezes, segundo revelou, também levam a dez marcos jesuítas, fonte riquíssima de história. 

A região do Farol de São Thomé guarda esse passado colonial que ainda resiste. Esta área, que integra a antiga Capitania Hereditária de São Thomé, foi palco de missões religiosas conduzidas pelos jesuítas no século XVI, durante a Companhia de Jesus. Hoje, parte desse legado permanece vivo dentro dos limites e proximidade do Parque Estadual da Lagoa do Açu, onde pode-se observar vestígios das ações jesuíticas. Destacam-se as pedras gravadas com cruzes e inscrições, que eram usadas como referência geográfica, delimitação territorial, ou mesmo como forma de evangelização simbólica.
Estromatólitos na região com 5 mil anos
Estromatólitos na região com 5 mil anos / Divulgação Inea

A outra riqueza do parque pode ser observada na Lagoa Salgada: são os estromatólitos, estruturas que são semelhantes aos mais antigos registros de vida macroscópica na Terra e que podem ser vistos a olho nu. “Além dos atrativos para o lazer, o parque também oferece aos visitantes toda essa riqueza cultural que o tempo não apagou”, ressaltou o secretário de Estado do Ambiente e Sustentabilidade, Bernardo Rossi.

Atrativos turísticos

A Ponte Maria da Rosa é uma área bastante frequentada na Lagoa do Açu por banhistas e praticantes de caiaque e Stand Up Paddle, pois é de fácil acesso. Com água em temperatura agradável e com uma beleza sem igual, o local é cercado por vegetação nativa. A Ponte da Maria da Rosa possui a área de mangue mais preservada do parque.
Prática de esporte na unidade de conservação da Lagoa do Açu
Prática de esporte na unidade de conservação da Lagoa do Açu / Divulgação Inea

Para os amantes da prática de surfe, a localidade conhecida como “A Última Opção Surf Point” é uma área bastante procurada. Um local com ondas constantes e ideais para a prática de esportes como surf e bodyboarding.

O Projeto Tamar, com uma base na área, também monitora a desova das tartarugas marinhas. O parque tem ainda a “Trilha Tamanduá”. A grande quantidade de registros de tamanduás nessa região fez com que a trilha ganhasse esse nome. Nesta trilha é possível observar a vegetação herbácea, vegetação arbustiva e a floresta baixa de restinga. O percurso possui 2,5 km de extensão, com duração estimada de 2 horas e considerada de grau leve.

A visitação no Parque acontece dedomingo a domingo, das 8h às 17h, através do contato: (22) 98186 0060, com entrada gratuita.
Tufo de mangue na Lagoa do Açu
Tufo de mangue na Lagoa do Açu / Divulgação Aristides Soffiati
Com informações de assessoria do Inea
 

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