Matheus Berriel
02/04/2025 08:07 - Atualizado em 02/04/2025 09:56
Lô Borges se apresentou no Sesc Campos na última sexta-feira
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Foto: Matheus Berriel
O compositor mineiro Márcio Borges acertou em cheio quando escreveu que “sonhos não envelhecem”. Seu irmão Lô Borges é uma das provas vivas disso, pois continua compondo e cantando como aquele rapaz que, antes dos 20 anos, já havia criado as melodias de oito das 21 faixas do álbum duplo “Clube da Esquina”, recém-considerado o melhor de todos os tempos da música brasileira. Atualmente com 73 anos, Lô Borges lançará em breve o sétimo álbum anual consecutivo com músicas autorais inéditas. A grande novidade fica por conta de uma parceria com Zeca Baleiro, conforme revelado em entrevista na noite da última sexta-feira (28), antes do show realizado no Teatro Múcio da Paixão, no Sesc Campos.
— É, meu velho, são de 10 a 12 músicas e letras para decorar por ano — brincou o compositor, bem-humorado que é. — O próximo álbum já está pronto, com tudo certo, só falta o parceiro participar cantando em algumas faixas. Ainda não falei sobre isso, então, vou adiantar em primeira mão que o meu parceiro neste disco é o Zeca Baleiro, que fez todas as letras — revelou.
Tirando a histórica parceria de Lô Borges com o irmão Márcio, letrista do álbum “Muito além do fim”, de 2023, Zeca Baleiro será o parceiro mais famoso do compositor na sequência de discos com faixas inéditas desde 2019. Isso ilustra bem a versatilidade de um Lô Borges agregador, mesclando o peso do seu nome ao talento também existente nas novas gerações.
— Sempre faço parcerias com novos nomes — ressaltou: — Fiz o disco “Tobogã”, de 2024, com a Manuela Costa, uma menina de Brasília que nunca tinha feito uma música com ninguém. Até hoje, ela só fez letra para mim. Foi um disco de 12 músicas. A profissão dela não é nem letrista ou poeta... Ela é médica, pediatra de hospital público. A praia dela é outra. Mas, trocando algumas mensagens, pelos anos que a gente se conhece, percebi que ela tem uma coisa que soa música. Os e-mails que ela me enviava pareciam letras de música. Falei isso para ela, e ela disse que se eu mandasse uma música, ela poderia tentar fazer uma letra. Enviei, e ela já escreveu uma letra super bala, super boa, não só na métrica como no conteúdo, no contexto. Daí mandei outra música; ela se superou e enviou uma letra melhor ainda. Continuamos compondo e nasceu o disco. Então, eu componho com pessoas conhecidas e pessoas desconhecidas. Eu gosto é de fazer música, seja com Nando Reis, Samuel Rosa, Zeca Baleiro, que todo mundo conhece, ou com a Manuela Costa e a Patrícia Maês (parceira no álbum ”Chama Viva”, de 2022), que ninguém conhece, ou o Makely Ka (parceiro em “Dínamo”, de 2020), o Nelson Angelo (em “Rio da lua”, de 2019), que as pessoas conhecem pouco. A Manuela Costa até brincou que é costureira exclusiva (risos), só faz música comigo, porque o principal foco da vida dela é a medicina.
A visão agregadora de Lô Borges é explicável. Basta lembrar que o fato de ele ser hoje um dos compositores mais influentes do Brasil está diretamente ligado ao convite feito pelo amigo Milton Nascimento, no início dos anos 1970, para gravarem juntos o “Clube da Esquina”. Mais de cinco décadas após ser lançado pela Odeon, o álbum foi considerado pela revista “Paste Magazine”, dos Estados Unidos, o melhor da história da música brasileira e o nono melhor do mundo de todos os tempos, em junho do ano passado.
— Isso é um pouco delicado, porque advogar em causa própria é um negócio complicado — comentou um modesto Lô Borges. — Eu acho o “Clube da Esquina” um excelente disco. Como um dos autores do álbum, fiquei lisonjeado por essa eleição, feita por uma revista americana especializada em música. Mas às vezes acho até um pouco de exagero. Tenho meus gostos e adoro o “Clube da Esquina”, mas eu concebi o disco junto com o Milton Nascimento. Fica estranho e cabotino eu falar que é o melhor do Brasil, falando de um trabalho meu. Então, o que posso dizer é que eu acho legal, fico feliz — complementou.
A unidade do Sesc em Campos foi a sétima parada de Lô Borges na turnê “Histórias e Canções”, que integra o Circuito Pulsar Sesc RJ. Acompanhado pelo guitarrista Henrique Matheus, Lô mesclou canções dos álbuns recentes com sucessos da carreira, como “O trem azul” (parceria com Ronaldo Bastos); “Paisagem da janela” (com Fernando Brant); “Equatorial” (com Beto Guedes); “Um girassol da cor dos seus cabelos” e “Quem sabe isso quer dizer amor” (com Márcio Borges); “Para Lennon e McCartney” (com Fernando Brant e Márcio Borges), e “Clube da Esquina n°2” (com Milton Nascimento e Márcio Borges). Neste, ao cantar que “de tudo se faz canção e o coração na curva de um rio”, interagiu com o público mencionando o Paraíba do Sul. O formato intimista do show também o permitiu abordar o 190° aniversário da elevação de Campos à condição de cidade, celebrado naquele dia.
Esse foi o segundo show de Lô Borges na planície goitacá em menos de 10 meses. Em junho do ano passado, ele se apresentou com casa cheia no Teatro Firjan Sesi, em Guarus. A lotação se repetiu no Sesc Campos, o que já era sabido há uma semana, pois os ingressos se esgotaram em aproximadamente 20 minutos na terça-feira (25), dia de abertura das vendas.
— Estou virando freguês dessa cidade — brincou Lô Borges na entrevista pré-show. — Recebo o carinho do público em Campos com o peito em festa e o coração a gargalhar. Muita alegria! É muito bom saber que o trabalho da gente é reconhecido e tem esse carinho das pessoas. Graças a Deus, tem sido assim na turnê inteira. Esse show no Sesc Campos é o sétimo, e em todos a receptividade tem sido muito legal — agradeceu.
No aniversário da cidade, o presente foi para as cerca de 100 pessoas que conseguiram ingresso. Puderam conferir a vitalidade de um Lô Borges que não sucumbiu às transformações da indústria musical, aprendendo a conviver com elas sem abrir mão da sua essência:
— O pessoal é que tem que se adaptar à gente, não acho que eu tenho que me adaptar ao streaming. Eu comecei na fita cassete e atravessei todas as mídias que foram evoluindo. Agora, está chegando a inteligência artificial. Daqui a pouco vai ser música para ET, você vai mandar mensagem por disco voador. Não sei aonde vai parar... Mas, eu acho que o pessoal é que tem que acompanhar o que a gente está fazendo, e não o artista acompanhar o que está sendo feito. Para mim, não muda nada. A minha origem é o meu instrumento, a minha inspiração. Estou com mais de 70 anos. Desde os meus 18, 20, continuo com a mesma inspiração. Eu sento e componho as músicas, vou fazendo. O pessoal é que vem atrás de mim, levando as músicas para as mídias diferentes. Mas não penso em tipo de mídia quando estou fazendo disco; nem em repercussão, muito menos em mídia tecnológica. Sou um compositor muito simples. Para mim, basta um violão ou um piano, mais um gravador de iPhone, e em cinco dias eu faço um disco.
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