
Em nota, a Frente denuncia a gravidade. "Neste Dezembro Vermelho apontamos a gravidade de nossa região ter uma das piores taxas de mortalidade por Aids do Estado", diz um trecho.
Segundo a Frente LGBTQIAPN+, desde o lançamento da "Carta em defesa do fortalecimento da política em resposta ao HIV e à Aids em Campos e região Norte Fluminense", em dezembro do ano passado, existe um esforço da prefeitura de responder a questão do HIV e da Aids na cidade. No entanto, a Frente espera mais, com aportes financeiros, participação da sociedade civil, mobilização de outras secretarias municipais e engajamento da comunidade.
Na linha de frente, há anos, pela vida de soropositivos em Campos, a presidente e fundadora da Associação Irmãos da Solidariedade, Fátima Castro, explica que a Associação não trabalha com estatísticas, por outro lado, ressalta que neste ano, já perderam seis pacientes.
- Isso preocupa muito. Na realidade, quando eles saem da instituição, abandonam o tratamento, quando voltam a carga viral está mais elevada. Isso faz com que não haja muito sucesso para manter os retrovirais. Tem a questão da fome. Sem estar na instituição, eles não se alimentam direito. Enfim, o maior problema hoje é com a classe menos privilegiada, em Campos e no Brasil - diz Fátima Castro.
No dia 31 de dezembro chega ao fim a campanha "Dezembro Vermelho". O protocolo do Ministério da Saúde destaca que ter HIV não é o mesmo que ter Aids, pois há muitos soropositivos que vive sem desenvolver a patologia. A transmissão do vírus pode acontecer pelas relações sexuais desprotegidas, compartilhamento de seringas contaminadas ou de mãe para filho durante a gravidez e a amamentação. Por isso, é essencial se proteger em todas as situações e fazer regularmente o exame.
A pasta da Saúde informa que oferece uma gama de serviços para as pessoas que apresentam sorologia positiva ao vírus do HIV e para as que convivem com a Aids (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, decorrente da infecção pelo HIV), além de outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), passando pelo acolhimento, testagem, tratamento acompanhamento, além de ações de conscientização e capacitação ao longo ano. No caso da testagem ela pode ser realizada nas51 Unidades Básicas de Saúde (UBS) estão capacitadas e realizando o teste rápido diagnóstico.
Além de campanhas periódicas de conscientização nos dispositivos da prefeitura e grandes empresas do município, os profissionais da saúde estão realizando busca ativa das populações mais expostas."Já realizada a testagem em massa dos privados de liberdade (presídios masculino e feminino)", acrescenta.
Campos está inserido ainda no“ Projeto AIDS avançada”. O atendimento no CDIP também foi estendido até às 19h e, apontam, que intensificaram a busca ativa dos abandonos de tratamento da unidade. "O município está emelaboração de estratégia de testagem de profissionais do sexo e usuário de drogas"l.
O aporte do Governo Federal é de R$78 mil por mês para a disponibilização do Profilaxia Pós-Exposição e Profilaxia Pré-Exposição ao HIV.
"Um diagnóstico não deve definir, estigmatizar e limitar alguém", aponta psicólogo
De acordo com o Boletim Epidemiológico de 2023, no Brasil, de 1980 até junho de 2023, foram detectados 1.124.063 casos de aids. A taxa de detecção apresentou decréscimo de 20,8%, passando de 21,6 em 2012 para 17,1 casos/100 mil habitantes em 2022. No mesmo período, nota-se que essa redução foi mais expressiva no sexo feminino (37,8%) em relação ao masculino (10,8%). Em relação ao HIV, de 2007 até junho de 2023, foram notificados 489.594 casos, sendo diagnosticados 43.403 novos casos em 2022. É preciso urgência em iniciar o tratamento, seja medicamentoso e psicológico, é o que aponta o psicólogo Bruno Peixoto, que atua em uma clínica que cuida da saúde integral do homem, em Campos.

Bruno Peixoto - A importância do Dezembro Vermelho é a de conscientizar não somente sobre o tratamento das pessoas portadoras do HIV/AIDS e outras ISTs, mas também de informar que o apoio psicológico é importante em um prognóstico positivo. O trabalho do psicólogo ajudará a pessoa em suas questões internas, interpessoais e sociais.
Folha - Em que momento, após o diagnóstico, o trabalho do psicólogo deve acontecer? É tão importante, quanto os primeiros medicamentos?
Bruno - O trabalho psicoterapêutico deve começar o quanto antes. O momento pós diagnóstico costuma gerar sentimentos como medo, ansiedade, raiva, negação, e estes sentimentos podem se intensificar sem o acompanhamento de um psicólogo. Lidar com essa nova realidade pode ser muito estressante em uma sociedade onde há preconceito e falta de conhecimento sobre as patologias em questão. O cuidado com a saúde mental, então, torna-se ainda mais necessário. A ajuda psicológica, assim como os primeiros medicamentos, é importante, pois ambas irão promover a saúde e evitar comorbidades relacionadas às patologias.
Folha - O que é preciso esclarecer para quem descobre a infecção? A vida segue... e, em tratamento, é possível ter uma vida normal?
Bruno - Considero importante dizer que nomes como: síndrome, vírus, infecções, patologias, doenças, denominam as condições de saúde das pessoas, mas não denominam quem as pessoas são. Um diagnóstico não deve definir, estigmatizar e limitar alguém. É importante que essas pessoas se fortaleçam psicologicamente para conseguirem dar continuidade aos tratamentos necessários, cuidarem de si mesmas e de não se esquecerem de quem são.
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