Polarização e projeções ao PT de Campos com Lindbergh Farias no Folha no Ar
26/07/2021 | 15h31
O Folha no Ar desta terça-feira (27) recebe o petista Lindbergh Farias, vereador da cidade do Rio de Janeiro, ex-senador da República e ex-prefeito de Nova Iguaçu por duas vezes. Em pauta no programa da Folha FM 98,3, a partir das 7h, a polarização para disputa presidencial entre o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Lula, além da possibilidade de uma terceira via. Lindbergh também fala sobre a disputa do próximo ano ao Governo do Estado do Rio de Janeiro — em 2014, ele chegou a disputar o cargo e terminou em quarto lugar, recebendo 798.897 votos. O petista também faz projeções ao PT de Campos, cidade na qual ele cumpre agenda.
É possível acompanhar e interagir durante a entrevista pela live no Facebook, na página da Folha FM 98,3, além da transmissão pelo rádio.
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Planejamento de SFI com injeção de recursos da Cedae em pauta no Folha no Ar
25/07/2021 | 16h39
O Folha no Ar desta segunda-feira (26) recebeu o secretário de Planejamento e Desenvolvimento de São Francisco de Itabapoana, Florentino Cerqueira Azevedo, o Tininho. Em pauta, a injeção de recursos no município com a privatização da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), que rendeu ao município R$ 35 milhões. O dinheiro será repassado em três parcelas e poderá ser utilizado livremente pela administração. A primeira e maior parcela, de R$ 22,8 milhões, será repassada a SFI ainda em 2021. Já no ano que vem, o município receberá R$ 5,2 milhões, enquanto a última parte está programada para ser paga em 2025, no valor de R$ 7 milhões. Economista, Tininho também comenta sobre o panorama atual do país.
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Câmara vai voltar com Código Tributário e reforma do regimento em pauta
24/07/2021 | 09h17
Código Tributário na Câmara
O recesso na Câmara de Campos termina no dia 31 de julho, mas já estão alinhadas, nos bastidores, as primeiras pautas que aquecerão o debate a partir de 03 de agosto. A principal continua sendo a do Código Tributário. O único ponto que o prefeito Wladimir Garotinho (PSD) não conseguiu a aprovação, em um pacote de 13 projetos enviados ao Legislativo em maio, tem sido tema constante de discussão com o setor produtivo, que firmou posição contrária ao reajuste de tributos e obteve, ao menos até o momento, apoio do número suficiente de vereadores para brecar a proposta do governo. A intenção é buscar um entendimento com o empresariado até o fim do mês. Embora a base garanta que já tenha chegado à maioria para aprovar o projeto.
Base com maioria absoluta
Entre as discussões acaloradas na Câmara, em maio, e o retorno do projeto à pauta, em agosto, a base acredita já ter conquistado reforço necessário para alcançar a maioria absoluta na Casa (13 votos). Em projetos de lei complementar, com o é o caso da alteração do Código Tributário, o presidente Fábio Ribeiro (PSD) não vota. Em maio, o governo tinha 11 votos. Em junho, chegou a 12, com o retorno de Thiago Rangel (Pros), consolidado com a nomeação de aliados dele para a Empresa Municipal de Habitação (Emahab). O 13º voto contado pelos governistas é o de Marcione da Farmácia (DEM), que estava de licença entre maio e junho. E há quem aposte em mais.
Câmara de Campos
Câmara de Campos / Genilson Pessanha
Busca por consenso
Os interlocutores do governo apostam em um consenso com o setor produtivo para que possam contar com votos também dos vereadores “independentes”, até mesmo como um sinal de pacificação política, tendo em vista o acordo que o governo tenta com o Tribunal de Contas do Estado (TCE) para um Termo de Ajustamento de Gestão (TAG). A anuência do setor produtivo facilitaria também a mudança de voto de quem foi para as redes sociais dizer que era totalmente contra qualquer mudança no Código Tributário, mas que agora está mais alinhado com a base, inclusive com aliados nomeados no governo.
Novo regimento da Casa
Há quem acredite que o município saia vitorioso do imbróglio envolvendo o Código Tributário. Já que a tentativa de uma solução tem envolvido diferentes atores da sociedade, em uma ampla discussão. Os debates na Câmara, no próximo mês, mostrarão se o saldo é realmente esse. A Casa, porém, tem questões internas a resolver. E o principal é uma reforma no seu regimento. A Procuradoria do Legislativo já fez as mudanças, que passaram pelo crivo de Fábio Ribeiro. Tudo será enviada na próxima semana para análise e eventuais propostas de alteração dos vereadores. O novo regimento entrará em tramitação na sessão de 03 de agosto.
Busca apoio
As eleições de 2022 estão relativamente longe, mas a cidade de Campos já começa a receber a visita de políticos de diferentes partidos e com pretensões diversas nas urnas. O quadro é este mesmo. Da mesma forma que pré-candidatos de fora passam por aqui, já para fechar acordos e apoios, os daqui fazem o mesmo. Vão lá fora com o mesmo propósito. As conversas ocorrem com a antecedência. Até porque a disputa nas urnas envolverá os eleitores de todos os municípios fluminenses. Não esquecer que a eleição é para presidente da República, governador, senador, deputados federais e estaduais.
Reduto boêmio I
A reabertura do Bar Amarelinho, na Cinelândia, centro do Rio de Janeiro, festejada por muitos campistas, residentes ou não na Cidade Maravilhosa, remete para o fechamento de alguns bares em Campos. O último deles, com tradição na noite, foi o Piccadilly, situado na rua Conselheiro Otaviano, área onde reina o hospital Dr. Beda, clínicas e consultórios médicos. O Piccadilly estava ali, isolado, um pouco longe do reduto boêmio da Pelinca. Mas, por anos, fez sucesso. Tinha uma clientela fiel, atraída também por seu restaurante. Por este aspecto, certamente, existiu por tantos anos.
Reduto boêmio II
Pelo menos no cenário da noite campista é raro um bar durar 30 anos. Muitos dificilmente chegam a completar maioridade. Mas o Piccadilly foi longe. O que é raro, também, é o fato de o bar ter surgido e alcançado o sucesso que alcançou sob as bênçãos de quatro sócios. Vale dizer que uma sociedade a dois, na maioria das vezes, não vai longe. Mas o Piccadilly foi mais do que se imaginava. O prédio está para alugar. É torcer para que, tal como ocorreu no Rio, com o Amarelinho, surja alguém disposto a retomar as atividades de um patrimônio da noite.
Viva Zezé!
A atriz Zezé Motta, já homenageada pela Folha da Manhã com o troféu “Folha Seca”, concedido a campistas que fazem sucesso fora da cidade, é considerada um ícone negra da cultura brasileira. E neste domingo, celebrando o Dia da Mulher Negra, estará fazendo no Rio uma apresentação especial que pode ser acompanhado pelo canal oficial do Teatro Bradesco no YouTube. Com mais de 50 anos de carreira, Zezé vê o especial como uma grande homenagem à mulher negra. Também campista, a atriz Cacau Protásio dará um depoimento junto com outras personalidades negras.
*Com o jornalista Saulo Pessanha
Publicado na edição deste sábado (24) da Folha da Manhã
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Ponte entre SJB e SFI: Rodrigo Bacellar volta ao TCE-RJ e mantém diálogo pela retomada da obra
22/07/2021 | 12h29
O secretário estadual de Governo, Rodrigo Bacellar, retornou ontem (21) ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) e, em reunião com o conselheiro-relator do processo, Christiano Lacerda Ghuerren, reforçou a importância e o empenho do Governo do Estado para concluir e entregar a Ponte da Integração, que liga São João da Barra ao município de São Francisco de Itabapoana, tendo um papel de suma importância no desenvolvimento regional.
Segundo Rodrigo, que tem demonstra confiança na liberação dos entraves no TCE, foi mais uma oportunidade de pedir que o tribunal priorize este processo. “O governador Cláudio Castro colocou a conclusão dessa obra como prioridade. São 40 anos de espera e temos neste momento todas as condições necessárias para finalmente concluir e entregar. Inclusive, já foi viabilizada uma parceria com o Porto do Açu, que faz parte dessa força-tarefa para conclusão da obra”, destacou Rodrigo.
Reunião anterior — Na última sexta-feira (16), Rodrigo Bacellar esteve no TCE para tratar sobre o assunto. Na oportunidade, conversou com o presidente da Corte de Contas, Rodrigo Melo do Nascimento.
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Pezão diz que, se não fosse preso, concluiria ponte da Integração em 2018
20/07/2021 | 14h16
Pezão em uma das visitas à ponte da Integração
Pezão em uma das visitas à ponte da Integração / Folha da Manhã
O ex-governador Luiz Fernando Pezão afirmou que estava com tudo certo para concluir a obra da ponte da Integração em dezembro de 2018, mas, segundo ele, ficou impossibilitado de dar prosseguimento ao projeto quando foi preso em um desdobramento da operação Lava Jato no Rio de Janeiro, em novembro de 2018, ainda no exercício do cargo. A Folha da Manhã, em reportagem especial (aqui) no último sábado (17) lembrou os 40 anos da promessa de uma ponte ligando a sede do município de São João da Barra ao antigo “sertão”, hoje o município de São Francisco de Itabapoana. A primeira ponte, a João Figueiredo, foi anunciada em julho de 1981, mas os pilares estão abandonados e dificilmente serão concluídas. Em junho de 2014, Pezão iniciou outra obra, até então com previsão de conclusão em um ano. A construção está parada desde 2018 e o Tribunal de Contas do Estado (TCE) apontou superfaturamento.
— Na minha época, a obra nunca parou por causa disso (suspeita de superfaturamento). Se não acontece comigo o que aconteceu (a prisão na Lava Jato), eu entregava a obra. Estava com tudo pronto, tudo já encaminhado com a Premag (empresa responsável pela obra). Eu entregaria em dezembro (de 2018) — afirmou Pezão, que deixou a prisão em dezembro de 2019, mas foi condenado em primeira instância pelo juiz Marcelo Bretas a quase 99 anos de prisão, em ação decorrente da operação Boca de Lobo.
Em novembro de 2018, a Folha trouxe uma matéria (aqui) sobre a promessa que o ex-governador fez de concluir a obra antes do término do seu mandato. Na ocasião, técnicos do Departamento de Estrado de Rodagem (DER) descartaram a possibilidade.
Pezão destacou a necessidade de conclusão da obra para toda a região e que conversou isso com o atual governador, Cláudio Castro (PL), tendo ficado com o secretário estadual de Governo, Rodrigo Bacellar, a tarefa de prosseguir com a demanda. “Já conversei com o governador, falei com ele que era uma obra importantíssima. E o Bacellar ficou encarregado de dar andamento para terminar a ponte. Isso foi há cerca de um mês. O governador falou que tem muita gente pedindo pela ponte”, contou o ex-governador.
Na última sexta-feira (16), Rodrigo teve uma reunião no TCE (aqui) para tratar sobre o assunto. Na oportunidade, conversou com o presidente da Corte de Contas, Rodrigo Melo do Nascimento. Ficou acertado um novo encontro, nesta semana, com o relator do processo no TCE, Christiano Lacerda Ghuerren. O TCE apontou irregularidades na obra, envolvendo a empresa Premag e funcionários do DER.
O superfaturamento seria de cerca de R$ 30 milhões, por preços acima do mercado e medições contendo quantidade de serviços que não foram realizados. O DER informou que já prestou esclarecimentos e aguarda a decisão do TCE, além de seguir com planejamento da licitação dos acessos à ponte. A Folha não conseguiu contato com a Premag. Bacellar defende um entendimento com a Corte de Contas para que a obra avance, já que as suspeitas de irregularidades são de outra gestão. De acordo com o deputado estadual licenciado, atual secretário de Governo, se houver entendimento com o TCE, Castro anuncia a retomada das obras na sua visita a Campos no início de agosto (aqui), e a conclusão será imediata.
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Dança das cadeiras entre suplentes: sai Jô de Ururaí, volta Diego Dias
20/07/2021 | 10h38
A Câmara de Campos passa por mais uma mudança na sua composição neste ano. No Diário Oficial desta terça-feira (20), o até então subsecretário de Turismo Diego Dias é exonerado a pedido. Segundo suplente do Podemos, e presidente da legenda do município, Diego voltará a assumir o mandato na Câmara. Deixa a cadeira Jô de Ururaí, segundo suplente do Podemos, e que exerceu o mandato na maior parte do primeiro semestre da atual legislatura. Titular do mandato da legenda, Cabo Alonsimar segue no Executivo, como secretário de Segurança Pública.
Como o blog Ponto de Vista tinha adiantado (aqui), na subsecretaria de Turismo quem assume é Cláudia Anomal, braço direito de Diego na pasta. Como já havia assumido o mandato em janeiro, inclusive participando da votação que reconheceu o estado de calamidade financeira decretado pelo Executivo, Dias não precisa ser novamente convocado pela Câmara. Assume o mandato de maneira imediata com a publicação da sua exoneração a pedido como subsecretário.
Defensor ferrenho do governo na tribuna da Câmara, Jô teve espaço para "realizar o sonho" de ser vereador, assim como Diego agora também terá, ao menos até Alonsimar reassumir a cadeira. No caso do representante de Ururaí, o governo ainda estuda uma forma de acomodá-lo dentro da estrutura municipal, já que é considerado um importante aliado.
Outros suplentes — Além de Alonsimar e Diego, o vereador Igor Pereira (SD) ocupou cargo no Executivo, na presidência da Fundação Municipal da Infância e Juventude (FMIJ), abrindo espaço para Beto Abençoado (SD). Beto votava com o governo, mas Igor rompeu com Wladimir e voltou à Câmara para votar contra a maior parte das medidas do pacote enviado pelo prefeito. Já Fred Rangel (PSD) segue na secretaria de Serviços Públicos. No seu lugar está Álvaro Oliveira (PSD), líder do governo na Câmara. A mudança mais recente foi com a nomeação de Juninho Virgílio (Pros) como secretário de Governo, abrindo vaga para Edson Batista (Pros) no Legislativo.
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Thiago Rangel: Não é porque eu almocei com Rodrigo que eu sou oposição
19/07/2021 | 20h05
Uma foto que começou a circular nas redes sociais no fim de semana movimentou os bastidores da política campista. Foi um almoço com o deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD), hoje secretário estadual de Governo. Entre os políticos reunidos no sábado (17) estavam nomes da oposição — Helinho Nahim (PTC), Igor Pereira (SD), Marquinho Bacellar (SD), Nido Cardoso (PSL) e Rogério Matoso (DEM) —, Marcione da Farmácia (DEM), que, como estava de licença nas votações mais polêmicas da Câmara, ainda não se posicionou claramente sobre a bancada que integra na Casa, e o governista Thiago Rangel (Pros). Como Thiago votou com a oposição na maioria dos projetos do pacote enviado por Wladimir Garotinho (Pros), mas depois passou a integrar a base, tendo inclusive aliados nomeados na Empresa Municipal de Habitação (Emhab), a dúvida era se o vereador do Pros estava “costeando o alambrado”, podendo voltar a votar com a oposição. Rangel, contudo, garante que não foi esse o assunto do encontro.
— Eu sou da base. Não é porque eu almocei com Rodrigo que eu sou oposição. Agora, por eu estar na base, não me impede de conversar com outros atores políticos para 2022. Temos que pensar a política macro, política grande. Meu mandato é pautado por independência, não sou massa de manobra de Wladimir, de Rodrigo. Meu líder sou eu mesmo — afirmou Thiago, informando, também, que pretende que é pré-candidato a deputado estadual no próximo ano e que em nenhum momento no almoço foi solicitado que ele tomasse uma postura de oposição.
De acordo com o vereador, a pauta foi justamente a eleição do ano que vem: Rangel afirmou que Bacellar pediu seu apoio, mas nada foi definido. Ele disse que está tranquilo com a situação: “Se eu tivesse preocupação, não deixaria tirar a foto”. Além dos vereadores e do deputado, o médico Bruno Calil, que disputou a Prefeitura de Campos em 2020 com apoio de Rodrigo, também esteve no almoço.
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Ponte entre SJB e o antigo "sertão" é promessa há 40 anos
17/07/2021 | 13h31
Pilares da João Figueiredo
Pilares da João Figueiredo / Agência Berenger
A espera pode ser mais antiga, mas a promessa oficial completou nesta semana 40 anos. Na edição de 15 de julho de 1981, a Folha da Manhã noticiava: “Figueiredo anuncia construção de ponte em São João da Barra”. A informação foi repassada pelo então deputado federal Alair Ferreira, que aguardava o presidente João Figueiredo para uma agenda em Campos no dia seguinte, quando seria inaugurada a TV Norte Fluminense, de Alair, hoje extinta. Os pilares, que uniriam as duas partes de um só município, jamais receberam os tabuleiros da pista — e nem há perspectiva para que isso aconteça. Passaram-se os anos, o antigo “sertão”, hoje São Francisco do Itabapoana, foi emancipado em 1995, o Paraíba passou a ser a divisa dos municípios, SJB ganhou destaque econômico com royalties e o Porto do Açu. Em 2014, veio a promessa de outra ponte: a nova construção, diziam, seria mais econômica e célere do que se fossem utilizados os antigos pilares. A obra tinha um ano como prazo de conclusão, mas até agora não terminou. O Tribunal de Contas do Estado (TCE), em 2019, apontou superfaturamento superior a R$ 30 milhões, valor que seria suficiente, inclusive, para terminar a ponte. O governador Cláudio Castro (PL) marcou uma reunião no TCE para que o presidente da Corte, Rodrigo Melo do Nascimento, e o seu secretário de Governo, Rodrigo Bacellar, pudessem tratar, nessa sexta-feira (16), sobre o processo que impede a continuidade da obra. A promessa do Governo do Estado, agora, é de conclusão imediata, assim que houver liberação do TCE. E dinheiro não deve ser problema: o Rio terá, neste ano, uma injeção de R$ 14,5 bilhões da privatização da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae).
Arquivo da Folha
Arquivo da Folha / Arte: Eliabe de Souza
Década de 1980
Alair Ferreira mostra maquete da ponte a João Figueiredo, em 16 de julho de 1981
Alair Ferreira mostra maquete da ponte a João Figueiredo, em 16 de julho de 1981 / Arquivo da família
Nome de maior representatividade da política local da sua época, Alair Ferreira conseguiu autorização de Figueiredo para ponte que seria batizada em homenagem ao último presidente da ditadura militar. Na inauguração da TV Norte, Alair mostrou a Figueiredo a maquete da obra, que foi iniciada exatamente um ano depois, em 16 de julho de 1982, quando o então ministro do Interior, Mário Andreazza, figura importante do contexto político da época, fincou a primeira estaca. Entre paradas e retomadas, a construção seguiu até 1987, quando um infarto matou Alair. Ainda no velório, políticos já especulavam que com a perda do parlamentar a construção não prosseguiria.
Andreazza, com Alair e Zezé Barbosa, em visita à obra da ponte
Andreazza, com Alair e Zezé Barbosa, em visita à obra da ponte / Arquivo pessoal
Filha do ex-deputado e auxiliar dele nas questões políticas e empresarias (a obra foi executada pela Cobráulica, que era de Alair), Sônia Ferreira conta que ainda lutou para que a obra avançasse:
— No final dos anos 1980, com apoio do Dodozinho (Genecy Mendonça), que era o prefeito da época, ainda teve uma articulação, um documento com bastante assinaturas populares. Fui a Brasília tentar apoio para retomada da obra, mas nada aconteceu. A ponte, com certeza, acabaria com o movimento que já surgia para emancipação do antigo “sertão”, o que papai não via como vantajoso para a região. E também favoreceria aos produtores de cana, em uma época que Campos tinha mais usinas. Os recursos para construção vinham do IAA (Instituto do Álcool e Açúcar) e do DNOS (Departamento Nacional de Obras de Saneamento). Quando o ex-presidente Fernando Collor extinguiu as autarquias (em maio de 1990), eu sabia que seria muito difícil a retomada da obra.
Ela relata como triste o fato de outra ponte ter sido iniciada, deixando de lado os pilares antigos, o que, observa, também “é desperdício de dinheiro público”.
Início dos anos 1990
Último prefeito eleito antes da emancipação de São Francisco, o economista Ranulfo Vidigal lembra que durante o seu mandato (de 1993 a outubro de 1996, quando foi cassado), chegou a ser anunciada a retomada das obras: “Foi uma dotação orçamentária do governo federal, de emenda parlamentar, por meio do Ministério da Integração. Esse recurso veio, nós começamos o aterramento pelo lado de SJB. A verba foi executada, prestamos conta. Mas era um custo elevado para os acessos, porque ali era praticamente um brejo. Tínhamos os problemas de acesso, a necessidade de um dique e questões ambientais que deixavam a obra mais cara”.
Arquivo da Folha
Arquivo da Folha / Arte: Eliabe de Souza
Nada mais foi feito nos anos 1990. Para Ranulfo, a nova ponte é uma saída inteligente, pois também contempla o Porto do Açu (a cabeceira é próxima à BR 356 e à RJ 240, que leva ao complexo), facilitando o acesso rodoviário ao sul capixaba. “A SJB histórica que a gente conheceu se transformou em uma SJB ligada ao complexo. A ponte é para integração do Norte Fluminense, mas também do Porto. Com o Governo do Estado tendo esse recurso extraordinário da Cedae, deve concluir”.
Ponte da Integração
Ponte da Integração contará com 35 pilares, sendo 17 no trecho do rio
Ponte da Integração contará com 35 pilares, sendo 17 no trecho do rio / Rodrigo Silveira
Novos movimentos políticos para ponte entre SJB e SFI voltaram a acontecer em 2010, quando o então governador Sérgio Cabral anunciou que concluiria a ponte João Figueiredo. No ano seguinte, foi a vez do vice-governador à época, Luiz Fernando Pezão, também falar sobre a obra, que passaria a ter recursos do Departamento de Estradas e Rodagem (DER). Apenas em 2013 os antigos pilares foram deixados de lado, para licitação da nova ponte. A obra só começou em 6 de junho de 2014, em uma cerimônia com o então governador Pezão. Orçada inicialmente em R$ 105,7 milhões, o prazo de conclusão era de um ano. Novas paralisações e retomadas aconteceram — e a presença de políticos era constante a cada reinício da construção, tendo o último ocorrido em 2018. Pezão chegou a dizer em novembro daquele ano, a um mês de concluir o mandato (o que nem ocorreu, porque ele foi preso no exercício do cargo), que ainda terminaria a obra.
Veio o ex-governador Wilson Witzel (cassado este ano) e na primeira agenda de um representante do governo na região, em janeiro de 2019, a ponte foi visitada. Na ocasião, prefeitos e deputados pediram apoio a Lucas Tristão, então secretário de Desenvolvimento Econômico, para que o Estado liberasse cerca de R$ 30 milhões que faltavam para o término da obra. Já em setembro, Castro, então vice-governador, visitou Campos e falou da retomada da obra “em breve”. O dinheiro não saiu e ainda surgiu a suspeita de superfaturamento no que já havia sido feito.
Prefeitas de SJB e SFI, e o então deputado Wladimir, com secretário de Witzel em 2019
Prefeitas de SJB e SFI, e o então deputado Wladimir, com secretário de Witzel em 2019 / Folha da Manhã
O TCE apontou irregularidades na obra, envolvendo a empresa Premag, responsável pela construção, e funcionários do DER. Segundo voto do relator, o superfaturamento seria de cerca de R$ 30 milhões, por preços acima do mercado e medições contendo quantidade de serviços que não foram realizados. De acordo com Tribunal de Contas, atualmente, “o processo encontra-se em análise pelo Corpo Instrutivo, não sendo possível precisar uma data para sua ida ao Conselho Deliberativo”.
Segundo o DER, já houve resposta ao TCE sobre as supostas irregularidades, mas ainda aguarda a “decisão do órgão diante das justificativas apresentadas”. Ainda de acordo com o DER, “há total interesse” em retomar a obra. “Faltam cerca de 25% dos serviços programados para conclusão”, informou em nota, acrescentando que “está na fase de elaboração de orçamento da obra de acesso à ponte. Em seguida, fará uma licitação para a execução da obra. Vale ressaltar que os acessos não foram previstos no projeto original”.
Arquivo da Folha
Arquivo da Folha / Arte: Eliabe de Souza
Articulação de deputados
Deputado estadual, hoje secretário de Governo, Rodrigo Bacellar afirmou que a conclusão da ponte é uma prioridade, mas é necessário um acordo com o TCE, uma vez que as irregularidades apontadas são do passado. Ele saiu confiante da reunião com o presidente da Corte de Contas nessa sexta, e ficou agendado um encontro para a próxima semana, com a presença do conselheiro relator do caso, Christiano Lacerda Ghuerren. “Estou em um empenho com o governador há seis meses sobre este assunto. Fora a questão do TCE, tentamos um entendimento para que o Porto do Açu concluísse a ponte, e a gente, pelo DER, licitasse as cabeceiras, mas não avançou. Uma vez liberado pelo Tribunal de Contas, a gente conclui a obra imediatamente. É prioridade número um do governador”, afirmou Bacellar, informando que Castro deve anunciar alguma novidade no próximo mês, em Campos, quando estará no “Estado Presente”.
Em recente entrevista ao Folha no Ar, da Folha FM 98,3, o deputado estadual Bruno Dauaire (PSC) disse que também estaria cobrando ao TCE uma solução para o que chamou de “novela da ponte”. “Ainda não conseguimos uma audiência com o TCE, mas o Governo do Estado tem se mostrado empenhado na busca por alternativas. Uma delas é a de conversa com a iniciativa privada, em relação a empresas ligadas ao Porto do Açu, para concluir a ponte. Continuamos sem medir esforços para o diálogo com o TCE com objetivo de que a população seja beneficiada e os recursos aplicados corretamente”, afirmou Dauaire nessa sexta.
O papel de articulação já foi de outros políticos, como o ex-deputado estadual Roberto Henriques, que propôs o nome da “ponte da Integração”. Também eram presentes na articulação João Peixoto, um dos que mais falavam sobre a obra e incluiu uma homenagem a Dodozinho no nome da ponte, e Gil Vianna. Os dois deputados estaduais morreram no ano passado em decorrência da Covid-19.
Obras ponte da Integração estão paradas desde 2018
Obras ponte da Integração estão paradas desde 2018 / Paulo Sérgio Pinheiro
Expectativa
A prefeita de São Francisco de Itabapoana, Francimara Barbosa Lemos (SD), diz que está confiante na retomada da obra. “Estamos unidos em prol da conclusão da tão sonhada ponte da Integração, pois sem dúvida alguma todos nós seremos beneficiados. Recebemos a sinalização de Cláudio Castro da sua vontade em concluir a obra o quanto antes”, afirmou Francimara, que acrescentou:
— Será um salto gigantesco para nosso turismo e nossa economia, estaremos ligados 100 % em toda extensão da rodovia do sol. Vai viabilizar investimentos empresariais do Porto do Açu em nosso município. Confio no governador para conclusão desta obra, pois ele conhece nossa realidade.
A prefeita de SJB, Carla Machado (PP), afirmou que em reunião com o governador, com a presença de prefeitos de outras cidades, ela apresentou como demanda prioritária o término da obra e dos acessos. Na ocasião, Castro citou as questões do TCE, mas teria se comprometido a executar a obra por meio de parceria público privada. “Estamos aguardando com confiança o desenrolar. A conclusão da obra é de grande importância para o desenvolvimento econômico e social. E a demora gera um grande problema ambiental, já que houve por duas vezes intervenção no rio Paraíba do Sul. A conclusão da ponte é aguardada há três (quatro) décadas”.
A Folha tentou contato, sem sucesso, com a Premag, empresa responsável pela obra. Também não houve retorno de Cláudio Castro e do prefeito de Campos, Wladimir Garotinho (PSD), sobre a importância regional da ponte. Já o Porto do Açu não comentou sobre a possibilidade de concluir a obra iniciada pelo DER.

Os pilares e o processo de emancipação

Pilares da ponte João Figueiredo estão prontos desde os anos 1980
Pilares da ponte João Figueiredo estão prontos desde os anos 1980 / Rodrigo Silveira
A construção da ponte João Figueiredo, que não saiu dos pilares desde os anos 1980, tinha como um dos princípios encurtar a distância entre a sede do município de São João da Barra e os distritos do antigo “sertão”, hoje São Francisco, em mais de 80 quilômetros. Cortado pelo Paraíba, não há acesso rodoviário direto entre os municípios, exigindo a passagem por Campos. Há quem acredite que se a obra tivesse sido concluída, o novo município nem seria criado em 1995, tendo ficado com dimensão territorial maior que o município de origem.
— Não aconteceria, eu tenho certeza que não aconteceria. Um dos motivos que achei por bem deixar o processo seguir, sem interferência, mesmo sendo o prefeito na época, é que na verdade nós já tínhamos dois municípios — defendeu o ex-prefeito Ranulfo Vidigal.
A atual prefeita de SJB, Carla Machado também concorda: “A não conclusão pode, sim, ter sido um dos fatores. Sempre considerei a ponte uma obra necessária, antes e depois da emancipação. A ponte será importante para toda a região”.
O entendimento não é o mesmo da prefeita de SFI. “A emancipação do nosso município se fez necessária. Foi um processo justo tendo em vista os avanços desde a emancipação até os dias de hoje. SJB continua sendo nosso município mãe, porém, precisávamos caminhar com nossas próprias pernas. Vejo com toda clareza que mesmo se já tivéssemos a ponte João Figueiredo concluída à época, ainda assim o antigo sertão já estaria emancipado”, disse Francimara.
Na campanha de 2020, candidata à reeleição, Carla chegou a cogitar um consórcio com Campos e SFI para concluir a obra. Francimara não vê possibilidade de adesão:
— A realidade financeira de Campos e SJB é diferente de São Francisco, já que nossa receita é bastante inferior. Temos 62 quilômetros de litoral e recebemos royalties de petróleo como município limítrofe. Portanto, seria inviável financeiramente ao nosso município parceria para conclusão da ponte.
Com a privatização da Cedae, que renderá 14,5 bilhões ao Rio, SFI terá uma fatia. Serão R$ 35 milhões até 2025, em três parcelas. A primeira, e maior, de R$ 22,8 milhões, cai na conta este ano.
Matéria especial nas páginas 10 e 11 da edição deste sábado, 17 de julho, da Folha da Manhã
Matéria especial nas páginas 10 e 11 da edição deste sábado, 17 de julho, da Folha da Manhã / Diagramação: Eliabe de Souza
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Rodrigo Bacellar vai ao TCE para liberar obra da Ponte da Integração
16/07/2021 | 17h21
Atual secretário de Governo do Estado do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar participou nessa sexta-feira (16) de uma reunião no tribunal de Contas do Estado (TCE), com o presidente Rodrigo Melo do Nascimento, para tratar sobre o processo em relação à ponte da Integração, que ligará os municípios de São João da Barra e São Francisco de Itabapoana. A Corte de Contas apontou superfaturamento na obra, na gestão passada, com valor acima de R$ 30 milhões, o que impede a retomada da construção. O processo sobre o caso, porém, está parado. Bacellar defende que ocorra um desfecho para que o governador Cláudio Castro (PL) possa recomeçar e concluir a ponte. Ficou acertada outra reunião no TCE, na próxima semana, com o conselheiro relator do processo que trata sobre a ponte, Christiano Lacerda Ghuerren.
A Ponte da Integração começou a ser construída em 2014, com promessa de conclusão em um ano. No entanto, as obras se arrastam até hoje. Desde 2018 que não há mais liberação de recursos para o término da construção, bem como existem pendências em relação aos acessos. 
A Folha da Manhã traz na edição deste sábado (17) uma matéria especial com a longa história da promessa de uma ponte entre São João da Barra e São Francisco de Itabapoana.
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Advogado João Paulo Granja fecha a semana do Folha no Ar
15/07/2021 | 21h19
O advogado João Paulo Granja, com vasta experiência na área Eleitoral, é o entrevistado desta sexta-feira (16) do Folha no Ar, da Folha FM 98,3, a partir das 7h. Ele comenta sobre as recentes críticas do presidente Jair Bolsonaro ao sistema eleitoral brasileiro, com a utilização das urnas eletrônicas, e as reações causadas a partir das declarações, além de questões relacionadas à CPI da Covid. João Paulo ainda fala sobre o cenário político local, com as polemicas que marcaram o semestre da Câmara, e avalia o início do governo Wladimir Garotinho (PSD).
É possível acompanhar e interagir durante a entrevista pela live no Facebook, na página da Folha FM 98,3, além da transmissão pelo rádio.
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Sobre o autor

Arnaldo Neto

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