Morre Sergio Mendes, aos 83 anos, astro internacional da música brasileira
06/09/2024 12:55 - Atualizado em 06/09/2024 15:25
Katsunari Kawai / Divulgação
Morreu nesta sexta-feira (6), aos 83 anos, em Los Angeles, nos EUA, o pianista Sergio Mendes, consagrado como astro internacional da música brasileira. Desde o fim de 2023, o músico vinha enfrentando doenças decorrentes de problemas respiratórios. A morte de Sérgio Mendes acontece poucos dias após a Bossa Nova ser declarada Patrimônio Histórico e Cultural do Rio de Janeiro, sendo um dos mais influentes movimentos musicais do século XX, aprovada pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Sérgio também teve como parceiro de produção nos seus primeiros trabalhos, inclusive, na carreira internacional, Armando Pittigliani, que esteve em Campos no último dia 3 para um evento promovido pela Folha FM 98,3, do Grupo Folha, com o talk show "Isto é Bossa Nova".
Principal expoente do samba-jazz, Sergio Mendes deu os primeiros passos na carreira ao lado de nomes como Tom Jobim, Vinicius de Moraes e Baden Powell, a quem conheceu no Beco das Garrafas, principal reduto da bossa nova, em Copacabana, no Rio de Janeiro, durante os anos de 1950 e 1960. Foi no local, aliás, que ele ouviu pela primeira vez a canção "Mas que nada", na voz do autor Jorge Ben Jor, até hoje seu maior sucesso, e que impulsionou no exterior o grupo Brasil '66 — com o LP de estreia "Herb Alpert presents Sergio Mendes & Brazil '66". Quarenta anos depois, em 2006, a música foi regravada, igualmente com grande êxito, pela grupo americano de hip hop Black Eyed Peas.
Sergio Mendes vivia há seis décadas em Los Angeles, nos Estados Unidos, ao lado da mulher, a cantora Gracinha Leporace, com quem estava casado há mais de 50 anos. Os dois eram parceiros musicais — ela cantava na banda de Sergio desde o início da década de 1970. A decisão de partir de vez, com a família, para os EUA, onde realizou duas turnês ao lado de Frank Sinatra, com quem cultivou uma profícua amizade, foi precipitada pela instabilidade do Brasil após o golpe militar de 1964. Seu primeiro show, aconteceu nos EUA, aconteceu em 1966, co-produzido por Armando Pittigliani. 
Na Terra do Tio Sam, Sergio Mendes se destacou como o brasileiro com mais gravações emplacadas no Top 100 das paradas americanas (ao todo, são 14 — de "Mas que nada", que conquistou o 47º lugar em 1966, a "Olympia", que atingiu a 58ª posição em 1984). Em 1967, ele chegou ao quarto lugar nas rádios dos EUA com a versão bossa nova de "The look of love", de Burt Bacharach e Hal David. Quinze anos depois, o hit "Never gonna let you go" atingiu a mesma posição e estourou até no Japão.
Jovem prodígio
Sérgio Santos Mendes nasceu em 1941, em Icaraí, bairro nobre de Niterói, e começou a estudar piano ainda criança, em conservatório, com a intenção de tornar-se músico clássico. Rapidamente, porém, foi conquistado pelo jazz de Stan Getz e Dizzy Gillespie, e por uma novidade lançada por João Gilberto e Tom Jobim: a bossa nova.

Aos 16 anos, junto com o amigo Tião Neto, contrabaixista, Sérgio começou a se apresentar na Petit Paris, casa noturna da Praia de Icaraí – logo, estaria cruzando a Baía de Guanabara rumo a Copacabana, no Beco das Garrafas, onde minúsculas casas como o Bottle’s e o Little Club ferviam noite adentro com shows de grupos de samba-jazz.
 
 
Com informações de O GLOBO

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