Um ano da morte de Marielle Franco e Anderson Gomes com protestos e homenagens
14/03/2019 20:57 - Atualizado em 15/03/2019 17:51
Movimentum, em ato pelo 1 ano da morte de Marielle Franco e Anderson Gomes
Movimentum, em ato pelo 1 ano da morte de Marielle Franco e Anderson Gomes / Divulgação
Integrantes do Movimento Unificado de Mulheres (Movimentum) se reuniram, na tarde desta quinta-feira (14), para um ato cobrando o esclarecimento de quem mandou matar Marielle Franco, vereadora do Rio de Janeiro, assassinada há um ano, com seu motorista, Anderson Gomes. A ação, que está dentro das manifestações pelo 8M, que uniu mulheres do mundo inteiro no mês da mulher, reuniu militantes do feminismo, artistas e diferentes coletivos, na praça do Quatro Jornadas, em frente ao chafariz, no Centro da cidade.
Pela manhã, quem passou com olhar mais atento pela praça central da cidade pôde ver pares de sapatos enfileirados. A intervenção representou as vítimas de feminicídio e pediu justiça às vidas femininas. Aberto às 16h, o ato informou sobre o Movimentum e, além de cobrar que as investigações persistam até se chegue ao nome do mandante, protestou pelo aumento da violência contra a mulher. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil tem a 5ª maior taxa de feminicídio dos 84 países pesquisados, e se destacou também as diferenças de índices que vitimam mulheres negras e não negras. De acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBPS), em 10 anos, a taxa de homicídio de mulheres negras aumentou 15,4%, enquanto entre as mulheres não negras houve uma queda de 8%.
O ato contou com intervenções teatrais do Grupo Antropos, poesias e rimas com Ellen Correa e musicais com Simone Pedro e Crisraquel Marcolino.
Adiamento – Devido a uma queda de energia, a mesa de conversa com licenceadas em teatro, Michele Pereira, Bárbara Melo e Ellen Correa, que ocorreria, com mediação de Laís Lino, no Instituto Federal Fluminense (IFF) foi adiada com data ainda a definir.
No Rio - Um ato na Cinelândia reuniu centenas de pessoas para lembrar um ano da morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. A irmã de Marielle, Anielle Franco, participou do encontro. Ela subiu ao palco e agradeceu as manifestações de apoio e carinho que a família vem recebendo. Para ela, o crime será totalmente elucidado. 
— A gente não teme [que o caso caia no esquecimento], pelas pessoas que estão à frente. Eu perguntei às promotoras o que ia acontecer, e elas responderam que era para ter calma, pois muito mais coisas iam ser descobertas. Tem um mandante aí. E a gente precisa saber quem foi. As investigações não podem parar. Não vão parar. E eu espero que puxem, até que quem está lá em cima caia — disse. 
Homenagens - Diversas praças, monumentos e prédios públicos do Rio de Janeiro amanheceram com homenagens a Marielle Franco e Anderson Gomes. Faixas, banners, cartazes, fotos, girassóis e balões enfeitavam pontos como o Largo do Machado, os Arcos da Lapa, a Câmara de Vereadores, o Largo da Carioca, a Praça Tiradentes e a Assembleia Legislativa.
Movimentum - O Movimento Unificado de Mulheres de Campos surgiu do 'Vamos Juntas', um grupo criado nas redes sociais depois do caso de estupro de uma aluna do IFF quando ia pra instituição, em 2016. O intuito era que as mulheres oferecessem carona/companhia umas as outras para que não andassem sozinhas pela cidade. Organicamente o grupo começou a discutir políticas públicas para as mulheres do município e ganhou o nome de 'Feminismo Campos'. Em 2018, o grupo começou a se reunir com mais frequência e surgiu a necessidade de se institucionalizar. Atualmente, o Movimento Unificado conta com coletivos de mulheres universitárias, quilombolas, negras, da baixada e está na fase de aprovação de um regimento interno, pretendendo se fazer cada vez mais presente na vida pública do município.

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