A necessidade de mudar o transporte público em Campos
13/10/2017 10:17 - Atualizado em 16/10/2017 19:15
Ponto Final
Ponto Final / Ilustração
Ponto em comum
Talvez a única coisa com que concordem todas as vertentes envolvidas na questão do transporte público — empresas, funcionários, prefeitura e, principalmente, população — é que ele precisa ser reformulado com urgência. Os anos da passagem social, com pouca ou quase nenhuma fiscalização, levaram ao colapso atual. Não fosse assim, o atraso do repasse de setembro por parte da Prefeitura de Campos não implicaria em três meses de atraso dos salários dos funcionários por parte das empresas. Algo está muito errado e não é de hoje.
Longe
A suspensão da passagem social pelo prefeito Rafael Diniz está longe de resolver o problema. Talvez seja até uma parte ínfima diante de tantos outros poréns que envolvem esta questão. Mas é fato, também, que a manutenção da passagem social durante o governo Rosinha Garotinho não resultou em um transporte mais eficiente e confortável. Longe disso: ônibus lotados, sem conforto e que não cumprem horários sempre foram sendo motivo de reclamação dos usuários. Há muitos anos. Tirando a passagem mais barata para usuário, pouco se evoluiu na questão.
Conta
Mais barata em termos, já que a conta ia para alguém. E era alta. Sem fiscalização eficiente de quantas passagens eram utilizadas todos os meses, do horário dos ônibus e até do funcionamento do cartão cidadão de modo a não permitir fraude, o resultado não podia ser outro: Uma bola de neve, que foi crescendo até transformar-se em uma avalanche. Mesmo que todas as empresas voltem a circular, como quer a Prefeitura, não é difícil que, mais tarde, de novo, aconteça nova paralisação.
Para lembrar
Por falar em suspensão da passagem, vale lembrar que a iniciativa da equipe do prefeito não é inédita. A própria Rosinha Garotinho, em 4 de janeiro do ano passado, suspendeu a passagem a R$ 1 por 60 dias. A justificativa, segundo o decreto 346/2015 era que, neste prazo, as empresas de ônibus teriam que implantar o sistema de bilhetagem. No mês seguinte, a Prefeitura decidiu por um recadastramento dos usuários. A passagem, que deveria retornar em março, mas a suspensão foi prorrogada até dia 16 de abril de 2016. Voltou, mas sem solucionar pontos principais.
No sério
De qualquer forma, mesmo com suas razões, a paralisação é ilegal, como a Justiça do Trabalho já decidiu. O Poder Público municipal prometeu depositar, segunda-feira, em juízo, o valor devido às empresas para que seja destinado ao pagamento dos salários dos rodoviários. E queria 100% da frota nas ruas ontem. Não conseguiu. A Tarisguá, até o fechamento desta edição, continuava sem circular. Como a Prefeitura informou que acionaria a Polícia Militar para garantir a ordem e a segurança dos passageiros, resta saber qual atitude tomará em mais uma prova de fogo do novo governo.
Encontros clandestinos
A procuradora geral da República, Raquel Dodge, quer saber quantas vezes o coronel João Batista de Lima, amigo do presidente Michel Temer, esteve no Palácio do Planalto. Lima é acusado de recolher propinas para o mandatário. Nomeada por Temer, Raquel Dodge pode ser a pedrinha no sapado de Temer. A exemplo de Joaquim Barbosa, nomeado por Lula, mas que acabou por desvendar o primeiro escândalo da República, o rumoroso episódio do mensalão que tirou o sono do ex-presidente e outros petistas.
Ditadura nunca mais
Que alguém faça um alerta a alguns comunicadores de rádio de Campos que fazem apologia da ditadura como solução para os problemas do Brasil, embarcando na onda desses que pregam soluções extremadas para os rumos do país, como uma intervenção militar. Saibam que debaixo de uma ditadura (qualquer uma, seja de direita ou de esquerda) nem mesmo sua profissão poderiam exercer, pelo menos em sua plenitude. Esta questão tem que ser tratada sem esquecer as páginas da história.
José Renato

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