Pelo segundo dia, segue paralisação de ônibus em Campos
11/10/2017 11:10 - Atualizado em 11/10/2017 11:12
Ponto Final
Ponto Final / Ilustração
Pelo segundo dia
Mais uma vez a população campista amanheceu sem ônibus. Os motoristas e cobradores iniciaram uma paralisação, considerada ilegal, na última segunda-feira ao alegarem atraso no pagamento dos salários. Mesmo sem ter informado qualquer tipo de movimento ao sindicato da categoria, os rodoviários resolveram de uma hora para outra não exercerem seus deveres enquanto funcionários, e os que mais sofreram com toda a problemática foram os usuários do transporte público. O direito a greve é assegurado por lei e em casos de atraso de salários, como é a situação dos rodoviários, é até compreensível. No entanto, a mesma lei que garante um movimento grevista também determina a circulação de, pelo menos, 30% da frota dos ônibus.
Tentando resolver
Ontem, uma reunião entre representantes dos consórcios, do Sindicato dos Rodoviários e da Prefeitura, foi realizada no Instituto Municipal de Trânsito e Transporte (IMTT), na tentativa de resolver a situação da melhor forma para todos os lados. O presidente do Sindicato dos Rodoviários, Roberto Virgílio, disse que houve um entendimento para que as empresas convencessem os trabalhadores a retomarem as atividades, com exceção da Turisguá, que teria alegado que não tinha como arcar com os termos da proposta.
Justiça e escolta
Com a irredutibilidade dos motoristas e cobradores em voltarem ao trabalho, a Justiça teve que entrar em ação e, por meio de liminar à Prefeitura de Campos, determinou o retorno da circulação de 60% da frota. Os ônibus da Auto Viação São João, cujos funcionários chegaram a ser ameaçados, tiveram que sair da garagem escoltados pela Polícia Militar, mas nem isso impediu que alguns fossem depredados durante o trajeto até a rodoviária.
“Farra das lotadas”
Sem a circulação dos ônibus, as famosas “lotadas” aproveitaram para atuarem normalmente e faturarem a receita que poderia estar entrando no caixa das empresas para contribuir com a regularização do pagamento dos salários dos rodoviários. Além do transporte irregular, as pessoas também contaram com as vans, mas tiveram que enfrentar longas filas para conseguirem embarcar nos veículos, que muitas vezes já saiam cheias dos pontos e ainda pegavam mais passageiros pelo caminho.
Com razão e sem memória
Com razão, o vereador Thiago Virgílio (PTC) reclamou da falta de quórum para realização de sessão da Câmara. Esqueceu-se, porém, de um passado recente, quando era vice-presidente do Legislativo e membro da bancada rosácea, o que lhe valeu o apelido de “pittbull rosa” tamanha a ferocidade de suas defesas ao governo Rosinha Garotinho. Nos primeiros 10 meses de 2016, por exemplo, a Câmara não funcionou 17 vezes. No mesmo período deste ano foram quatro – três por falta de quórum e uma pelo falecimento do irmão do atual vice-presidente José Carlos (PSDB).
Pauta e escândalos
E assuntos importantes também não faltavam ano passado. Foi assim, por exemplo, entre março e início de abril, logo depois da divulgação dos nomes do casal Garotinho e da filha Clarissa na lista da Odebrecht. Quatro sessões consecutivas foram esvaziadas até que a poeira do escândalo tivesse baixado. Quando voltou às atividades, a Câmara pareceu ter encontrado solução, mudando o horário das sessões — então 8h30 — para 10h30. Vereadores reclamaram do horário, considerado muito cedo. Mas não adiantou. A falta de sessão continuou a ser constante, em geral seguindo o noticiário de escândalos locais e nacionais.
Sem interesse
Nenhuma instituição financeira demonstrou interesse para prestação dos serviços de processamento de créditos de salários provenientes de folha de pagamento dos servidores ativos, inativos, pensionistas e estagiários e o pagamento de fornecedores da Prefeitura de Campos. A licitação que estava marcada para a última segunda-feira foi considerada deserta. O atual momento vivido pelo Executivo, reflexo da herança conturbada deixada pela gestão anterior, parece ter contribuído para essa falta de interesse.

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