Independência ou morte
06/09/2017 23:39 - Atualizado em 12/09/2017 14:46
Ponto Final
Ponto Final / Ilustração
Independência ou morte
Hoje, no desfile de 7 de setembro, marcado para o Cepop, símbolo da gastança nos oito anos de governo Rosinha Garotinho (PR), se comemora o Dia da Independência do Brasil. Revisões históricas à parte, o evento poderá simbolizar até que ponto Campos está realmente livre, ou não, do grupo político que governou o município por quase 30 anos. Governando há pouco mais de oito meses, Rafael Diniz (PPS) estará presente. E dentro do clima de terrorismo instalado na cidade desde segunda (04), ontem continuou a se engendrar abertamente nas redes sociais os preparativos para hoje tentar coagir e ameaçar fisicamente o prefeito.
Interesses e interesses
Na edição de ontem desta coluna, também viralizada nas redes sociais, se alertou até que ponto chegou o clima de “quanto pior, melhor” em Campos. Como foram cobradas a reação contra quem trabalha sem constrangimento contra a cidade, e a imposição do limite da lei a quem deixou o moral atrás de si na prática de terrorismo político. Conduzido como massa de manobra por quem foi apeado do poder com a eleição de outubro, o descontentamento com o governo Rafael teve vários motivos ontem elencados aqui. Alguns deles são confessáveis e legítimos, outros nem tanto.
Alvo é IMTT?
Entre as causas menos nobres ao descontentamento, foi escrito: “há aqueles que perderam a boquinha, própria ou de alguém próximo”. Mas o que a coluna não citou ontem foi um caso inverso: e quem tenta cavar sua boquinha no governo, criando-lhe dificuldades, para vender “facilidades” — como a “proteção” vendida pela máfia contra o mal que ela mesma pode causar? Por exemplo, se o movimento que organiza nas redes sociais os protestos de hoje tivesse como líder alguém com passado suspeito na área do transporte, que agisse movido por ambição pessoal no Instituto Municipal de Trânsito e Transportes (IMTT)?
Presente repete passado
Como comportamento mafioso, geralmente, vem da prática, poderia ser o caso de alguém que atuasse num setor burocrático de transporte e passasse a fiscalizar com o rigor da lei as vans e lotadas numa certa linha intermunicipal. E, assim que parasse de receber o “agrado” da empresa de ônibus que monopolizasse essa mesma linha, passasse a defensor das mesmas vans e lotadas que antes perseguia. Alguém nesta condição certamente não veria com bons olhos a atuação irretocável do arquiteto e urbanista Renato Siqueira à frente do IMTT, que fiscaliza vans e lotadas em Campos por apego à lei, não interesse pecuniário escuso.
Delação futura
Como caso real e análogo ao exemplo hipotético, pertinente a situação de Rogério Onofre, ex-presidente do Departamento de Transportes Rodoviários do Rio (Detro), no governo Sérgio Cabral (PMDB). Preso pelo juiz federal do Rio Marcelo Bretas, ele foi solto pelo insuspeito ministro do Supremo Gilmar Mendes, para ser preso novamente pelo magistrado carioca, após ter ameaçado torturar e matar delatores. E se, seguindo o comportamento padrão de quem puxa cana na Lava Jato, Onofre também virar delator? Numa dessas coincidências da vida, isso poderia chegar ao protesto programado para hoje contra o prefeito de Campos? Mistérios!
Ovos do Pq. Aurora
Falando ontem à coluna, o vereador de oposição Thiago Virgílio (PTC) garantiu não ter nada a ver com o terrorismo que ameaça bater ponto no desfile cívico de hoje. Ele desmentiu gaiatices das redes sociais, dando conta que, através da sua arregimentação, teria acabado o estoque de ovos do Parque Aurora. Conhecido como “Pit Bull Rosa”, o edil ressalvou que sua combatividade é para os embates na tribuna da Câmara, “não num evento festivo, diante de crianças, estudantes, com agressões verbais e físicas”. No entanto, alfinetou o prefeito, que, segundo ele, teria orientado a bancada governista a esvaziar as sessões de terça e ontem.
Limite da lei
Primo de Thiago e também vereador, só que do governista G-5, Jorginho Virgílio (PRP) tem o mesmo receio. Não por outro motivo, ele se reuniu na terça com o comandante do 8º BPM, tenente-coronel Fabiano Santos, a quem alertou sobre pessoas que no dia anterior espalharam lixo no Capão e no Caju, além da convocação para tumultos hoje no Cepop. Ontem, numa reunião do prefeito com a base governista, foi pactuada a necessidade de reação política e da imposição do limite da lei contra o terrorismo que se tenta implantar na cidade. Quem nele embarcar, que saiba a quais interesses está servindo. E meça as consequências.

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